Ação judicial: Sem OAB, “filho do Gugu” visita Mourão como desembargador

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bit.ly/31QXArA | Famoso pelos tropeços não perdoados pela internet durante a participação no quadro Quem quer ser um Milionário, do Caldeirão do Huck, o gaúcho João Riel Manoel Hibner Nunes Vieira Teles de Oliveira Brito, mais conhecido como “o filho do Gugu“, é alvo de ação judicial no Rio Grande do Sul por crime contra a fé pública. O Ministério Público acusa o rapaz de utilizar o número da carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de uma juíza e, assim, conseguir movimentar processos para possíveis clientes. O caso ainda tramita na Comarca de Arroio do Tigre, terra natal do participante.

“Você é advogado, passou pela OAB, tudo?”, questionou Huck. “Sim, mas hoje estou licenciado porque sou juiz leigo”, informou o rapaz durante o programa. Embora tenha se formado em direito pela Universidade de Passo Fundo, João Manoel não pode, oficialmente, se apresentar como advogado, conforme declarou ao apresentador Luciano Huck.

De acordo com o Cadastro Nacional dos Advogados do Brasil (CNA), a única passagem do gaúcho pela OAB foi como estagiário e a inscrição dele foi cancelada pela entidade após a formatura. Não há registro sobre um possível pedido de licença da instituição para o exercício do cargo de “juiz leigo”.

Assista aqui.

Aliás, João Manoel exerce o cargo de forma voluntária, conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). De acordo com a Corte gaúcha, o mandato para a função é de seis meses. Como foi nomeado em 10 de maio, em tese, a permanência no cargo seria até novembro.

“Surgiram essas informações quando da análise dos processos e chamou atenção pela numeração da OAB ser, em tese, muito baixa e ele ser recém-formado. Então, a doutora determinou a instauração de investigação. Realizei diligências a pedido dela, pesquisas, enfim, atuei na elaboração dos documentos”, afirmou uma das testemunhas do processo.

Segundo ela, o Ministério Público do Estado passou a comparar as numerações apresentadas pelo rapaz, mas não havia a confirmação. “Nós identificamos o número dele, como estagiário, de que era formado há um ano ou mais de um ano e ele teria a carteirinha de estagiário da OAB, com a letra ‘e’. Inclusive, já estava vencida e ele continuava tirando processos aqui no fórum, não sendo mais estagiário. E o número não fechava, era diferente do que constava nas petições e, inclusive nas pesquisas que realizei em sites de advogados, ele se intitulava como advogado, botava esse número, que foi verificado ser um número suspenso, que é de uma juíza”, declarou a testemunha à Justiça.

No processo, funcionária do MPRG afirma que comparou as inscrições do rapaz e percebeu incoerências

Agenda presidencial

Curiosamente, o inconfundível nome do rapaz também consta em recente agenda do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB). Identificado como “desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul”, o rapaz de apenas 27 anos foi recebido pelo número dois do Palácio do Planalto. De acordo com o documento oficial, o rapaz foi recebido com esse título pelo vice-presidente às 11h30 do dia 18 de setembro, em Brasília.

No primeiro contato feito com a reportagem, João Riel solicitou a retirada do conteúdo anterior do ar, sob pena de “tomar medidas judiciais cabíveis”. Contudo, questionado sobre as denúncias, ele disse ter sido vítima de equívocos burocráticos, tanto no caso do processo criminal quanto na audiência do vice-presidente.

“São erros, né? Eles acontecem. Eu declarei ser advogado pelo nervosismo no programa. Mas não era o que eu queria ter dito. Deveria ter falado que era estagiário, não advogado”, reconheceu.

Ainda segundo o juiz leigo, a agenda na sede do governo federal ocorreu devido ao suposto lançamento de um livro da autoria dele e que contava com o prestígio do vice-presidente da República. “Foi um erro de alguém. Nunca me apresentei como desembargador. Se isso ocorreu, foi erro de alguém de lá [Palácio do Planalto]. Não tenho nenhuma responsabilidade. São erros”, declarou.

Sobre o processo judicial, o gaúcho também afirmou ter sido, mais uma vez, alvo de erros. “Pode ter sido um erro de digitação, uma confusão. Como eu usaria a OAB de alguém para fazer esse tipo de coisa? Não existe isso. Toda a movimentação desses processos eu fiz enquanto estagiário. Não sei o motivo do interesse nessas histórias, mas isso vai acabar com minha imagem. Não podemos ficar só com a primeira reportagem?”, sugeriu o rapaz.

O Palácio do Planalto também foi questionado sobre a segurança de informação e a triagem de pessoas a serem recebidas na sede do governo federal, contudo, ainda não se pronunciou sobre o episódio.

Entenda o caso

As redes sociais não perdoaram a performance de um participante, no último sábado (26/10/2019), do Quem quer ser um milionário, do programa Caldeirão do Huck. O gaúcho João Riel Manoel Hibner Nunes Vieira Teles de Oliveira Brito (sim, o nome dele é deste tamanho em homenagem aos avós), de 27 anos, revelou ao apresentador Luciano Huck que já foi confundido como “o filho do Gugu ou do Michel Teló”.

A declaração, contudo, não foi a única responsável por deixar a internet em polvorosa. O participante ficou em dúvida na resposta para a pergunta sobre a figura mitológica que mistura uma mulher e um peixe. “Eu sei que talvez eu estaria fazendo equívoco, mas não posso errar e eu quero muito levar esse um milhão para o Rio Grande do Sul”, disse, antes de ameaçar pedir ajuda às possibilidades do jogo. Ele acabou acertando a resposta “sereia”.

Aparentemente nervoso, o rapaz decidiu pedir ajuda para a plateia para responder sobre qual modalidade esportiva integra o Super Bowl, famoso evento norte-americano. Somente com o recurso conseguiu acertar que tratava-se de futebol americano. “Se eu ganhar um milhão, faço um churrasco para todos”, prometeu. A pergunta valia R$ 5 mil.

Juiz leigo

João Riel se apresentou no Caldeirão do Huck como um juiz leigo em Porto Alegre (RS), bacharel de direito que determina soluções alternativas para processos mais simples, e disse ser excessivamente estudioso. Ele afirmou ter publicado mais de 20 livros de própria autoria sobre pesquisas na área de direito, fato que fez a internet questionar a insegurança do participante.

Próximo do fim da participação, o candidato foi perguntado sobre quantos segundos existem dentro de uma hora. Por decisão do rapaz, ele decidiu recorrer à ajuda de uma amiga por telefone, um dos recursos previstos nas regras. “Gosto muito de matemática, mas aqui os neurônios começam a pifar”, disse. “Três mil e seiscentos”, respondeu a ajudante de Santa Catarina (SC).

A performance fez com que a mãe do concorrente desse uma bronca no filho: “Deveria ter visto o relógio, meu filho”.

Caio Barbieri
caio.barbieri@metropoles.com
Fonte: www.metropoles.com

4/Comentários

Agradecemos pelo seu comentário!

  1. Fraquinho...espero que nunca" passe" em nenhum concurso...

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  2. Até meu pós doutorado? Vale ver o vídeo... 28 anos ...

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  3. O cara mais chato do Brasil! Hahahah

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  4. coisas do Luciano Huck que tentou ser candidato a presidencia do Brasil

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