O autor é o procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que atribui à emissora a difusão de prosódia incorreta e pede R$ 10 milhões por danos morais coletivos, sob o argumento de que cada transmissão equivocada consolidaria o erro na memória coletiva nacional.
O caso
A iniciativa do MPF/MG partiu do entendimento de que a palavra é paroxítona, com tonicidade na sílaba “cor” reCORde, sem acento gráfico. Na petição, o procurador sustenta que a forma “RÉ-corde”, classificada como proparoxítona, configuraria erro de prosódia.
Para embasar o pedido, foram anexados trechos de programas jornalísticos e esportivos da emissora, entre eles Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural.
Em um dos exemplos mencionados, o procurador cita a pronúncia adotada pelo jornalista César Tralli.
Confira:
Na ação, Neves argumenta que a Globo, por operar concessão pública de radiodifusão, tem dever de observância da norma culta da língua portuguesa. Para ele, a repetição do que classifica como erro comprometeria o direito difuso da sociedade a uma programação com finalidade educativa e informativa.
"Ademais, verifica-se que a Língua Portuguesa é a base fundamental da nossa identidade nacional e o veículo primário da nossa cultura, sendo considerada patrimônio cultural imaterial do Brasil (Art. 216, CF). Ao difundir o erro de pronúncia em escala nacional, a requerida descumpre sua missão educativa e cultural, operando um verdadeiro desserviço à padronização linguística necessária para a unidade do país, conforme pretendido pelo Acordo Ortográfico de 1990."
Além disso, a ação invoca o art. 221 da CF/88, que estabelece princípios para a produção e programação das emissoras de rádio e televisão, e o art. 37, § 6º ao tratar da responsabilidade civil de prestadoras de serviço público.
"No caso concreto, a conduta da requerida viola de forma injusta e intolerável os valores da coletividade relacionados ao adequado uso da língua portuguesa, que consiste em patrimônio cultural imaterial. Outrossim, viola o direito difuso da coletividade de ter acesso a uma programação de televisão que cumpra a finalidade educativa e informativa exigida pela Constituição Federal."
Ao final, o MPF requer a procedência integral da ação para confirmar a tutela inibitória e condenar a emissora à obrigação de fazer consistente na adequação da pronúncia em seus telejornais e transmissões.
Requer, ainda, a condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 10 milhões, em razão de alegada lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa.
- Processo: 6001127-88.2026.4.06.3803
Estrangeirismo cultural?
A polêmica sobre a pronúncia da palavra “recorde” não é nova. Em artigo publicado na coluna Gramatigalhas, José Maria da Costa enfrentou exatamente essa dúvida, comum sobretudo em transmissões esportivas.
Segundo o autor, embora seja generalizada a pronúncia proparoxítona “récorde”, o mais adequado, à luz da norma culta, é a forma paroxítona: reCORde, rimando com acorde, concorde e discorde.
José Maria ressalta que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL - Academia Brasileira de Letras, registra unicamente a forma “recorde”, sem acento gráfico, o que reforça sua plena integração ao idioma e a tonicidade na penúltima sílaba.
O colunista ainda menciona gramáticos como Napoleão Mendes de Almeida, Luiz Antônio Sacconi e Arnaldo Niskier, todos no mesmo sentido: deve-se evitar a pronúncia “récorde” e preferir recorde.
"A pronúncia paroxítona – e não proparoxítona – desse vocábulo é também realçada por Arnaldo Niskier, autor esse que, em outra passagem, assevera que “se pronuncia recórdes e não récordes; nós não falamos inglês."
Em síntese, para José Maria, a forma correta em português é recorde, paroxítona, sem acento e com a sílaba tônica em “cor”.

Essa situação envolvendo o MPF e a Globo chama bastante atenção, principalmente por levantar debates sobre linguagem, comunicação e possíveis exageros em questões jurídicas. A pronúncia de palavras pode variar conforme região e contexto, então vale refletir até que ponto isso realmente justifica uma ação desse porte. De qualquer forma, o caso gerou curiosidade e discussão entre o público. Para quem gosta de se destacar online, usar letras diferentes para copiar também é uma forma criativa de chamar atenção nas redes sociais 👍
ResponderExcluirA situação entre o MPF e a Globo mostra como detalhes de linguagem podem gerar discussões amplas no ambiente público. Diferenças de pronúncia são comuns e podem estar ligadas ao sotaque, contexto ou costumes regionais. Para quem também busca maneiras criativas de destacar seus textos online, letras diferentes para copiar oferecem uma alternativa simples para personalizar publicações
ResponderExcluirIt's interesting that MPF is seeking R$ 10 million from Globo over the pronunciation of "recorde." That kind of linguistic detail can really have significant consequences. If you're ever curious about how to generate different text styles yourself, this quick tool might be helpful for experimenting with variations.
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