"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato".
"Ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso, ele jura todo dia. Se for julgado ele virá para cá, não vai ficar escondido não. Vai ter que provar que é inocente. E se for ocupado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quanto erra", disse Lula.
As declarações foram dadas durante uma entrevista para o podcast Inteligência Ltda.
Nesta quinta, o ministro Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar Lulinha para apurar se o filho do presidente praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios com o Ministério da Saúde.
Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto.
A PF suspeita que Lulinha e o Careca tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. Como o g1 noticiou em janeiro, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu esse novo inquérito, sobre atuação na área da saúde, porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS.
Lulinha é suspeito de ter atuado para que o Careca fosse recebido no ministério.
O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal com o governo federal em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu esse novo inquérito, sobre atuação na área da saúde, porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS.
"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", afirmou Carvalho.
O Ministério da Saúde afirmou que não tem nem nunca teve contrato com a World Cannabis ou com acionistas citados. "Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles", disse a pasta.
Trump e eleições brasileiras
Durante a entrevista, o presidente voltou a falar sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e uma eventual interferência do governo americano nas eleições.
"Eu já disse muitas vezes, aqui no Brasil a mentira não vai ganhar [...] Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições", disse Lula.
Lula disse ainda que não estar preocupado com uma eventual interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro e afirmou que manteve uma relação "muito boa" com Donald Trump durante o encontro entre os dois na Casa Branca.
"Eu não estou preocupado com isso. Minha conversa, minha relação pessoal com o Trump foi muito boa. E depois o secretário Marco Rubio, que não gosta da América Latina, não gosta do Brasil vai fazendo as coisas acontecerem. Eles querem que a América Latina volte a ser um quintal dos Estados Unidos[...] Se ele quiser apoiar eleitoralmente, que venha. Agora, nós vamos ganhar as eleições", declarou.
Por Carina Benedetti, Marcela Cunha, TV Globo e g1 — Brasília
Fonte: @portalg1

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