Lula soma 23 derrotas no Congresso; veja comparação com outros governos

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Lula soma 23 derrotas no Congresso; veja comparação com outros governos

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Via @ndmais | As derrotas de Lula no Congresso marcam uma série de problemas neste terceiro mandato. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumula ao menos 23 derrotas neste período, segundo levantamento do Poder360 organizado pelo Ranking dos Políticos.

O balanço reúne episódios considerados relevantes, como vetos presidenciais derrubados, projetos retirados de pauta por falta de votos, derrotas em comissões, medidas econômicas barradas e a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A contagem aponta seis derrotas em 2023, cinco em 2024, oito em 2025 e quatro em 2026. O levantamento considera diferentes tipos de derrotas, que vão desde votações perdidas no plenário até pautas que o governo não conseguiu fazer avançar.

Entre os episódios de maior impacto estão a derrubada do veto ao marco temporal das terras indígenas, a resistência do Congresso a medidas econômicas como o aumento do IOF e, em 2026, a rejeição inédita de uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal.

Lula 3 enfrenta Congresso diferente dos primeiros mandatos

A comparação entre governos precisa considerar que não existe uma metodologia oficial única para medir “derrotas presidenciais” no Congresso. A composição do Legislativo, as regras de funcionamento e o peso dos partidos mudaram ao longo das últimas décadas, segundo apontou o levantamento.

O principal contraste está na capacidade de articulação política, aponta o documento, baseado na dificuldade de interlocução política entre o Planalto e o Congresso, com resistência a nomes do Executivo e trocas de comando na pasta.

Nos dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, o governo conseguiu formar uma coalizão parlamentar mais previsível. A aproximação com partidos de centro e a distribuição de espaços na Esplanada ajudaram o Executivo a aprovar projetos considerados estratégicos.

Já neste terceiro mandato, iniciado em 2023, Lula chegou ao Planalto após uma eleição marcada por uma ampla frente contra Jair Bolsonaro (PL). A aliança eleitoral, porém, não se transformou automaticamente em uma base parlamentar fiel.

O governo passou a depender de negociações específicas para cada votação, e passou a depender do Centrão para aprovar matérias.

2023: os primeiros sinais de dificuldade no Congresso

Logo no primeiro ano, o Planalto acumulou seis derrotas relevantes, segundo destaca o documento.

Entre elas esteve o avanço da oposição com a instalação da CPMI do 8 de Janeiro, além da criação da CPI do MST, movimentos que mostraram dificuldade do governo em controlar a agenda política do Congresso.

Outro episódio foi o avanço do marco temporal das terras indígenas. O Congresso derrubou o veto presidencial e manteve a tese que restringia demarcações de terras indígenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988.

Também em 2023, o governo enfrentou dificuldades com o chamado PL das Fake News, retirado de pauta por falta de votos.

A disputa pelo comando de comissões da Câmara também evidenciou a força do Legislativo e a dificuldade do Executivo em ocupar espaços estratégicos.

Um dos embates mais desafiadores ocorreu com a indicação de Nikolas Ferreira (PT-MG) para comandar a Comissão de Educação na Câmara, tradicional reduto da esquerda.

2024: vetos derrubados e desgaste em pautas sociais

No ano seguinte, o Congresso manteve o movimento de contrariar decisões do presidente Lula.

O Legislativo também rejeitou vetos relacionados a temas orçamentários e avançou em pautas que contrariavam posições defendidas pelo governo.

A desoneração da folha de pagamentos foi outro ponto de tensão. Após a derrubada do veto presidencial, o governo precisou negociar uma transição e buscar alternativas para preservar parte da arrecadação.

Ao mesmo tempo, propostas como a regulamentação do trabalho por aplicativos não avançaram por falta de consenso.

2025: IOF vira símbolo da dificuldade econômica

A área econômica passou a concentrar parte dos principais reveses do governo Lula no Congresso.

A medida era considerada importante pela equipe econômica para ampliar receitas e ajudar no cumprimento das metas fiscais. O governo estimava arrecadar cerca de R$ 20,5 bilhões com a mudança.

O Congresso, porém, rejeitou a iniciativa. Na Câmara, o decreto foi derrubado por 383 votos a 98. No Senado, a decisão também foi contrária ao Executivo.

O episódio obrigou o governo a buscar alternativas para recompor receitas e expôs os limites da articulação do Planalto mesmo em uma pauta considerada prioritária.

Ainda em 2025, o governo enfrentou derrotas envolvendo a lei das eólicas offshore, regras trabalhistas para atletas e a disputa pela condução da CPMI do INSS. Numa manobra, a oposição conseguiu derrubar nomes da base para conduzir as investigações.

2026: rejeição de Messias marca crise política

O episódio de maior impacto político deste terceiro mandato de Lula ocorreu em abril deste ano, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF.

O advogado-geral da União, indicado por Lula, recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários. Para ser aprovado, precisava de pelo menos 41 votos.

A rejeição entrou para a história como a primeira vez, desde a República, que o Senado recusou uma indicação presidencial ao Supremo em mais de um século.

A derrota foi interpretada como um sinal de enfraquecimento da articulação do governo entre os senadores.

Vetos presidenciais se tornam principal marca do desgaste

Uma das características do terceiro mandato de Lula foi a quantidade de vezes em que o Congresso passou por cima de uma decisão presidencial.

A derrubada de vetos mostra que o Executivo não conseguiu sustentar posições aprovadas pela Presidência mesmo após a tramitação das propostas.

Além do marco temporal e das saidinhas, outros vetos relacionados a temas econômicos, sociais e eleitorais foram revertidos pelos parlamentares.

Comparação com Dilma e Bolsonaro

A dificuldade de relacionamento com o Congresso também marcou outros governos recentes, mas em contextos diferentes.

No segundo mandato de Dilma Rousseff, a perda de apoio político no Legislativo contribuiu para a crise que terminou no processo de impeachment em 2016.

Já Jair Bolsonaro iniciou o mandato com uma postura de confronto com parte do Congresso, mas posteriormente ampliou a aproximação com o centrão para construir uma base de apoio.

No caso de Lula 3, o desafio foi transformar uma ampla aliança eleitoral em uma coalizão parlamentar estável.

Governo chega ao fim do mandato pressionado

A sequência de derrotas não significa que o governo deixou de aprovar projetos importantes. A reforma tributária, por exemplo, avançou durante o mandato de Lula.

O problema, neste caso, foi a dificuldade de manter uma maioria consistente para sustentar a agenda presidencial.

Com a aproximação das eleições de 2026, o ambiente tende a ficar ainda mais complexo. Parlamentares passam a priorizar estratégias eleitorais próprias, enquanto o governo busca recuperar capacidade de articulação no Legislativo.

Tatiana Azevedo
Fonte: @ndmais

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