Desconfiada, a tia pesquisou casos de pessoas que deram golpes se passando por criança e encontrou reportagens de 2023 sobre um crime atribuído a uma mulher chamada Amanda no Rio de Janeiro. Além da semelhança no modo de agir, a aparência física da suspeita reforçou as desconfianças da família.
A mulher relatou as suspeitas ao pai adotivo. Embora inicialmente tenha desacreditado da história, também identificou semelhanças ao conferir a reportagem em vídeo.
Para comprovar, procuraram a delegacia em Joinville, no final de maio.
"Ele viu que a pessoa que foi presa no Rio de Janeiro era a pessoa que estava dentro da casa dele", contou.
A Polícia Civil de Santa Catarina identificou que a mulher é reincidente nessa modalidade de estelionato. A suspeita foi presa na última terça-feira (2). Na sexta (5), a Polícia Civil a indiciou por falsa identidade e estelionato.
Em depoimento à polícia, Amanda Maria Souza de Oliveira confessou ter aplicado o mesmo golpe em outros cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso em Natal (RN) também veio à tona nos últimos dias.
Em Santa Catarina, a polícia investiga outras duas ocorrências em Florianópolis e Chapecó.
Mulher de 37 anos imitava voz de criança
A reportagem que chamou a atenção da tia dizia respeito a um crime ocorrido em Nova Iguaçu (RJ).
No Rio de Janeiro, em 2023, ela era "Duda", e passou um mês sob cuidados de Renata Magalhães e Viviane Henriques, 45 anos, diretora de um projeto social. As duas amigas costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo.
Em um registro publicado no perfil de Renata, a autora do golpe aparece imitando a voz de uma criança (assista no topo da matéria).
Ela contou que presenciou Amanda vomitar agulhas em diversas ocasiões.
“Ela vomitava a agulha. Ela vomitava, fez isso na minha frente. É uma coisa bizarra. Tenho visto muita gente rindo e fazendo piada na internet, mas ela é uma estelionatária, uma narcisista, uma mulher perigosa. É uma pessoa que vestiu um personagem e criou uma narrativa”, desabafou Renata.
Acolhida por casal e tratada como criança
Amanda Maria viveu por 14 meses como filha adotiva da família em Joinville após conhecer as vítimas ao procurar uma igreja e relatar ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Ela se apresentava como Gabriele.
A investigação apontou que a mulher é natural do Ceará e o relato é semelhante ao feito em outros estados.
Conforme o delegado, além da família que a acolheu em casa, o pastor e a comunidade foram vítimas do golpe, pois se sensibilizaram no início do ano passado para tentar achar um lugar para ela ficar.
Quem é a mulher de 37 anos presa após fingir ter 12 anos e ser 'adotada' por família em SC
Além de uma festa de aniversário de 12 anos, Amanda ganhou remédio para emagrecer, um quarto com decorações e brinquedos infantis.
"Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia", afirmou o delegado.
O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor público nomeado pela Justiça para a suspeita, informou que ela vai passar por exames de sanidade mental. A data ainda não foi confirmada.
Vídeo mostra como mulher de 37 anos fingia ter 12 e agia como criança
Infográfico - Falsa adolescente — Foto: Arte/g1
Por Júlia Venâncio, Sofia Mayer, g1 SC
Fonte: @portalg1

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