Entre os 1,9 mil demitidos, ex-funcionário da Casas Bahia revela como ocorreu o processo de demissão: ‘Estamos à deriva’

Entre os 1,9 mil demitidos, ex-funcionário da Casas Bahia revela como ocorreu o processo de demissão: ‘Estamos à deriva’

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Via @ndmais | Entre os cerca de 1,9 mil funcionários demitidos pela Casas Bahia, um trabalhador relata ao ND Mais como recebeu a notícia do desligamento e o que aconteceu nos dias seguintes. Segundo ele, a empresa comunicou os funcionários de forma coletiva e, desde então, os trabalhadores enfrentam incertezas sobre o futuro.

Estamos à deriva sem saber o que vai acontecer após a Justiça do Trabalho julgar e travar todas as demissões”, afirmou o trabalhador.

O relato ocorre após o TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região) extinguir o mandado de segurança apresentado pela Casas Bahia contra a decisão que suspendeu as demissões. Com isso, permanece provisoriamente a determinação para que os vínculos trabalhistas e os benefícios dos funcionários atingidos sejam mantidos.

Como aconteceu a demissão na Casas Bahia

Segundo o trabalhador, a demissão ocorreu na sexta-feira (14). Na quinta-feira anterior, a gerência teria enviado uma mensagem aos funcionários convocando todos para uma reunião na manhã seguinte.

De acordo com o relato, os trabalhadores foram reunidos e receberam a comunicação sobre o desligamento. “Coletivamente comunicou todos e, um a um, foi dando a carta de demissão”, contou.

Ele afirma que a dispensa ocorreu sem uma comunicação prévia sobre a possibilidade de demissões em massa.

Segundo o trabalhador, a maioria dos funcionários recebeu o documento presencialmente na loja. Em outros casos, trabalhadores de diferentes unidades teriam recebido a comunicação por aplicativos de mensagens.

O documento entregue aos funcionários trazia informações sobre o desligamento, além de orientações para a realização do exame demissional e procedimentos relacionados à homologação. “Apenas o documento de dispensa e mais nada”, afirmou.

Funcionários ainda aguardam informações

O trabalhador afirma que, 11 dias após a demissão formal, ainda não havia recebido as verbas rescisórias.

Segundo ele, até então, a empresa havia apenas liberado o FGTS para saque. A falta de informações também teria atingido os canais de atendimento. O ex-funcionário afirma que tentou obter esclarecimentos da empresa, mas não conseguiu atendimento.

“Nenhum contato. Tem um atendimento eletrônico que nunca funciona, sempre indisponível”, relatou.

Segundo ele, o atendimento estaria com dificuldades desde o dia 15. O trabalhador também afirma que não recebeu orientação da Casas Bahia sobre o que deveria fazer após a decisão da Justiça que suspendeu as demissões.

Demitidos esperam definição sobre retorno

Com a decisão judicial, os trabalhadores agora aguardam informações sobre a manutenção dos vínculos e sobre os próximos passos.

O trabalhador afirma que procurou o sindicato para entender a situação. Segundo ele, inicialmente havia previsão de uma reunião entre a entidade e a Casas Bahia para esta quarta-feira (26), mas o encontro teria sido adiado para segunda-feira (31).

A expectativa é de que a reunião esclareça como ficará a situação dos funcionários atingidos pela decisão judicial.

Até o momento, segundo o relato, a Casas Bahia não teria informado diretamente aos trabalhadores se eles deverão retornar às atividades.

“Preciso me recolocar rapidamente”

Além da falta de informações, o trabalhador afirma que a indefinição dificulta a busca por uma nova oportunidade profissional.

Ele conta que precisa se recolocar rapidamente porque sua renda é a principal fonte de sustento da casa. “Sim, preciso me recolocar rapidamente, porém a empresa não se comunica, não dá nenhum feedback sobre a situação toda”, afirmou.

O trabalhador diz ainda que o cenário do mercado de trabalho aumenta a preocupação com a demora para conseguir uma nova vaga. “Então uma recolocação agora pode demorar pela alta demanda de pessoas desempregadas”, relatou.

Segundo ele, a situação também pesa para outros funcionários demitidos, que possuem filhos, aluguel e outras despesas.

Demissões ocorreram antes do pedido de recuperação judicial

As demissões estão relacionadas ao processo de reestruturação da Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar suas dívidas.

A companhia fechou lojas e prevê milhares de desligamentos como parte do processo. No entanto, a decisão analisada pelo TRT-10 envolve especificamente os 1,9 mil trabalhadores demitidos antes do pedido de recuperação judicial.

A Justiça suspendeu as demissões ao considerar que o desligamento coletivo ocorreu sem negociação prévia com os sindicatos.

Posteriormente, a Casas Bahia apresentou um mandado de segurança para contestar a decisão. O TRT-10, porém, extinguiu a ação porque a empresa não teria apresentado documentos obrigatórios, entre eles a própria decisão que estava sendo questionada e o comprovante de intimação.

Com isso, permanece a determinação de manutenção provisória dos vínculos.

O que diz a Casas Bahia

Procurada pelo ND Mais, a Casas Bahia afirmou que respeita as decisões judiciais e que está adotando as medidas processuais cabíveis.

Em nota, a companhia também destacou que a situação faz parte do processo de reestruturação.

“A companhia respeita o Poder Judiciário e está adotando, nos autos, as medidas processuais cabíveis em relação à decisão. Reforça ainda que as decisões em curso integram um amplo processo de reestruturação, necessário para garantir a continuidade e a sustentabilidade do negócio, bem como a preservação dos empregos mantidos.”

O ND Mais também procurou o sindicato responsável pela representação dos trabalhadores, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

A fonte foi ouvida pelo ND Mais sob condição de anonimato.

Lidia Gabriella
Fonte: @ndmais

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