Gerente de banco suspeita de desviar R$ 2 milhões no interior de SP tem vício no 'jogo do tigrinho', diz advogado

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Via @portalg1 | A defesa da ex-funcionária do Santander presa nesta segunda-feira (28) em Miguelópolis (SP), suspeita de desviar cerca de R$ 2 milhões de contas de clientes, afirma que ela tem vício no "jogo do tigrinho", jogo de cassino online.

Segundo o advogado, ela também tem laudos de depressão e síndrome de burnout, doença ligada ao esgotamento profissional. Ela trabalha na agência há 12 anos.

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o companheiro dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos preventivamente na segunda-feira (28). Os dois são investigados por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. Segundo a Polícia Civil, há indícios de lavagem de dinheiro, com valores distribuídos em outras contas e em casas de jogos e apostas.

Ao g1, o advogado Laudemiro Neto, que defende Vanessa, disse que ainda não teve acesso ao processo para se pronunciar sobre as denúncias.

Adilson passou por audiência de custódia nesta terça, teve a prisão mantida e foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franca (SP). À EPTV, a defesa dele afirmou que ele desconhece as acusações e não tem envolvimento com qualquer ilegalidade relacionada à investigação.

Em nota, o Santander afirmou que sua área de inteligência coopera com a Polícia Civil desde o início da investigação para apurar os fatos e responsabilizar os autores. O banco disse ainda que "nenhum cliente terá prejuízo financeiro" e que tem sistemas de prevenção a fraudes para identificar e coibir desvios de conduta.

O que diz a defesa

O advogado classificou o vício de Vanessa como ludopatia, a dependência em jogos. Ele não informou desde quando ela tem as doenças nem se faz tratamento. O g1 não teve acesso aos atestados.

Na conversa, ele citou o tempo de trabalho de Vanessa no banco:

"Ela tem 12 anos de banco, e somente depois de 10 anos que ocorreu esse problema? Durante 10 anos ela dedicou sua vida ao banco, ficou doente e veio passar por esses problemas."

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos por suspeita de estelionato em Miguelópolis, SP — Foto: Reprodução/Redes sociais

Família de idosa relata conta zerada

A família de uma aposentada de 78 anos diz que ela teve cerca de R$ 300 mil retirados de uma conta do Santander em Miguelópolis e só descobriu o saldo zerado depois de passar por um transplante de córnea. Segundo a família, ela é uma das clientes lesadas nos desvios investigados.

De acordo com a sobrinha, a idosa ainda tem descontadas da aposentadoria as parcelas de um empréstimo que não reconhece e fica com cerca de R$ 1 mil por mês para se manter.

O que diz a investigação

Segundo a Polícia Civil, a operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nesta segunda-feira. O inquérito foi aberto depois que vítimas registraram vários boletins de ocorrência por não reconhecerem movimentações nas próprias contas.

A polícia afirma que a funcionária, com mais de 12 anos de agência, usava a confiança dos correntistas para movimentar e sacar valores indevidamente. Ainda segundo a polícia, o companheiro dela tinha livre trânsito na agência e teria retirado valores entregues por ela.

A movimentação indevida chega a R$ 2 milhões, entre 2024 e 2026, segundo a polícia. O cálculo considera os prejuízos relatados pelas vítimas, que não tinham sido ressarcidas até terça-feira (29).

De acordo com a investigação, o dinheiro era distribuído em outras contas e em casas de jogos e apostas. Segundo a polícia, os valores possivelmente eram ocultados ali para depois voltar à economia formal com aparência de rendimentos legais.

A decisão da Justiça que determinou as prisões, à qual a EPTV teve acesso, descreve saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências não autorizadas e resgates de aplicações sem o conhecimento dos titulares. Segundo o documento, as subtrações ultrapassam R$ 2,1 milhões.

A decisão também informa que Vanessa foi demitida pelo banco, mas que a demissão não interrompeu a movimentação dos valores ocultados. Sobre Adilson, o documento aponta indícios de que ele recebia e ocultava o dinheiro em contas próprias e da empresa dele. Ainda segundo a decisão, ele foi visto várias vezes saindo da agência com sacolas de dinheiro.

Por Lucas Zanetti, Andrielly Ferro, g1 Ribeirão Preto e EPTV
Fonte: @portalg1

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