Tenente-coronel da PM, réu pelo feminicídio da esposa, diz que vídeo foi criado por IA

Tenente-coronel da PM, réu pelo feminicídio da esposa, diz que vídeo foi criado por IA

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Via @portalmsn | O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso e acusado pelo feminicídio da policial militar Gisele Alves Santana e por fraude processual, sustenta que um vídeo em que surge chorando e apontando uma arma para a própria cabeça foi produzido por meio de inteligência artificial.

Em depoimento prestado por videoconferência à Corregedoria da Polícia Militar, o tenente-coronel compareceu trajando o uniforme do Presídio Militar Romão Gomes, onde está detido. Ele afirmou que, apesar de reconhecer a própria imagem, não empunhava arma nem exibia emoção na gravação em questão. O oficial sustentou que a gravação teria sido manipulada digitalmente, mas não forneceu dados técnicos ou laudos que comprovassem a alteração.

No entendimento de Geraldo, a montagem teria aproveitado recursos de chamadas de vídeo realizadas com Gisele. Segundo o militar, a esposa costumava exigir que ele mostrasse o ambiente ao redor durante as ligações, já que desconfiava de eventuais saídas noturnas. Foi em uma dessas ocasiões, segundo ele, que alguém teria incorporado lágrimas e arma ao vídeo original, valendo-se de inteligência artificial. Ele também não especificou quem teria feito a edição nem quais softwares teriam sido utilizados.

Familiares de Gisele contam que o vídeo foi enviado dias depois de ela comunicar a decisão de encerrar o relacionamento. Preocupados, parentes entregaram a gravação ao delegado responsável pela investigação. A peça audiovisual tornou-se elemento central para apurar eventuais contradições no depoimento de Geraldo e investigar a veracidade da versão do suicídio. O vídeo também é analisado para detectar possíveis sinais de deepfake.

A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi achada morta com um disparo na cabeça no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, o coronel afirmou que a esposa teria tirado a própria vida, mas um laudo complementar da Polícia Científica identificou incompatibilidades entre os vestígios no local e a hipótese de suicídio. A Corregedoria aponta ainda indícios de alteração da cena do crime.

Geraldo nega ter disparado contra Gisele, agredido a vítima ou adulterado a cena para encobrir o crime. No depoimento, o oficial manteve que jamais colocou a arma na direção da esposa, repetindo a ausência de fatos que o liguem diretamente ao feminicídio. Ele também refuta a acusação de fraude processual, alegando não ter manipulado documentos ou laudos periciais.

Além do processo criminal por feminicídio e fraude processual na Justiça comum, o tenente-coronel enfrenta um Conselho de Justificação na esfera militar, que pode resultar em sua expulsão da Polícia Militar e perda da patente. O interrogatório de Geraldo já foi adiado três vezes e está previsto para 5 de outubro. Cabe agora ao Judiciário avaliar todas as provas e decidir sobre sua responsabilidade.

JETSS .COM
Fonte: @portalmsn

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