Como revelou o portal Metrópoles nesta segunda-feira (21), o contrato estabelecia o pagamento de 5% em honorários líquidos de êxito sobre o valor recebido em 12 processos, estimado em R$ 8,5 bilhões. As mensagens exibidas pelo Metrópoles vão do final de 2024 a maio de 2025.
Nesse meio tempo, em fevereiro de 2025, a advogada promoveu uma festa de 15 anos para sua filha em Brasília, conforme divulgado pelo jornal Estadão. O evento, exibido nas redes sociais da advogada, teve Wesley Safadão como atração surpresa no ano passado.
Um dos diálogos divulgados pelo Metrópoles mostra Camilla enviando a Vorcaro uma mensagem em que comemora a “grande vitória” em um julgamento de precatórios de interesse do Master no Supremo, em junho de 2025. Ela destaca ao banqueiro o “excelente voto de Nunes Marques”.
Kassio confirmou que em novembro de 2025 viajou em um avião pago por Camilla. O destino foi Maceió, para a festa de aniversário da advogada. O ministro afirmou que a relação tem “caráter pessoal”, sem contrapartidas por sua atuação no Supremo.
Anteriormente, conversas extraídas do celular do banqueiro mostraram que ele custeou uma mansão para o “ministro KN” passar o carnaval de 2025 no Rio de Janeiro. Camila, que confirmou a estadia, também esteve presente na casa acompanhada do marido.
Newton tratava com intermediários de Vorcaro hospedagens em hotéis de luxo para Kassio. Em outro diálogo revelado pelo Metrópoles, uma assessora encaminha ao banqueiro uma mensagem em que o desembargador atribui ao magistrado o pedido de uma reserva:
“Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”, escreve a assessora, e Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta”.
Procurado pela equipe da coluna, Newton destacou, em nota, que ele e Camilla já mantinham uma “relação pessoal” com Vorcaro “antes dos fatos ora objeto de investigação”, e afirmou nunca ter julgado “qualquer causa” de interesse do Banco Master.
Já o Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual Camilla é sócia, afirmou que “sempre manteve relação profissional com o Banco Master, mediante contrato formal e escrito, para prestação de serviços jurídicos em processos envolvendo precatórios adquiridos pela referida instituição financeira". Em nota, o escritório ressaltou que nenhum dos casos em que atua se encontra em tramitação no STF.
“Vale destacar que o escritório não possui qualquer vínculo com o ministro Kassio Nunes Marques. Toda a atuação de Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia em defesa do Banco Master ocorreu regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos”, diz outro trecho do comunicado.
Usina Alcídia
Como mostrou a equipe do blog, Vorcaro atuou para tentar influenciar o voto de ministros da Segunda Turma do STF em casos envolvendo precatórios de interesse do Master no setor sucroalcooleiro. Um dos alvos foi Gilmar Mendes, em um processo relativo a um precatório da usina Alcídia, em que o decano acabou votando contra os interesses do banqueiro.
O processo sobre a Alcídia foi alvo de uma série de interrupções. Em 15 de março de 2024, Gilmar pediu um destaque e, dez dias depois, quando a análise do caso foi retomada, o ministro pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, o decano voltou a agir: cancelou o pedido de destaque.
Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista. Ao devolver o processo, o ministro votou de acordo com a tese defendida por Vorcaro e formou maioria para definir o resultado do julgamento.
O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master. Os três ministros que votaram a favor da tese que interessava a Vorcaro foram Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
Suspeição
No julgamento sobre a validade do relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, Nunes Marques afirmou que na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sentia “confortável” para participar da análise do caso e por isso se declarou impedido.
Diálogos obtidos pela PF também revelaram que Vorcaro teria pago R$ 10 mil para que uma garota de programa dormisse com o magistrado e discutido com o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, sobre um pagamento mensal de R$ 500 mil a Kevin de Carvalho Marques, filho de 25 anos do ministro que é advogado e tem ganhado crescente influência no Judiciário.
Como revelou o Estadão em março, o Banco Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult, empresa de consultoria que fez pagamentos entre agosto de 2024 e julho de 2025 a Kevin.
Malu Gaspar
Por Yago Godoy
Fonte: @jornaloglobo

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