O valor sairia do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado através de um pacote de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 916,4 milhões) para apoiar iniciativas voltadas à direita e ao conservadorismo em diversos países.
Apesar das objeções de parlamentares do Congresso norte-americano, que criticaram o uso de recursos advindos de impostos para interferir em outros países, a liberação foi defendida por aliados de Trump na Casa Branca e aconteceu horas antes do fim do ano fiscal dos Estados Unidos, em 30 de setembro.
A iniciativa intitulada “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”, destinada a combater o que classifica como censura e abuso de poder da Suprema Corte brasileira, busca apoiar grupos da sociedade civil que se opõem às decisões do STF.
Um dos integrantes citados é o ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos EUA por ser o relator do processo criminal contra o ex-presidente e aliado de Trump, Jair Bolsonaro (PL). As sanções foram removidas posteriormente.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assinou presencialmente a liberação dos recursos, ignorando os bloqueios feitos por congressistas. A senadora democrata Jeanne Shaheen havia travado US$ 22 milhões direcionados a projetos no Brasil, Europa, Nigéria e Reino Unido, criticando o uso de verbas públicas para incentivar a “extrema-direita”.
Repasse que inclui contestação à atuação do STF integra pacote de US$ 176 milhões para pautas conservadoras
Esta destinação de recursos caracteriza uma mudança na política externa norte-americana, voltada para ajuda humanitária: o governo Trump redirecionou verbas historicamente utilizadas para vítimas de regimes autoritários para focar em pautas como anticomunismo, combate à imigração e proteção de valores cristãos.
Há 43 subsídios previstos no plano de Washington, incluindo US$ 2 milhões (R$ 10,4 milhões) a um programa destinado a proteger cristãos na Nigéria, nação acusada por Trump de perseguir o grupo religioso. O presidente norte-americano ordenou um ataque à capital Abuja, em dezembro de 2025.
US$ 2 milhões serão destinados ao combate à “ideologia de gênero” na Polônia, na Eslováquia, na República Tcheca, na Hungria e nos Bálcãs. Há, ainda, ações contrárias à imigração na Europa e iniciativas que pretendem contestar a credibilidade de veículos de imprensa.
A Victims of Communism Memorial Foundation (Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, em tradução livre), organização sem fins lucrativos voltada à preservação da memória de vítimas do comunismo e à oposição a regimes totalitários, recebeu US$ 40 milhões.
Ao contrário da oposição, o Departamento de Estado norte-americano defendeu as medidas, alegando que o projeto visa apoiar a soberania dos aliados.
Em nota oficial, o órgão afirmou que os programas passam por análises rigorosas e buscam promover a liberdade de expressão e a autoconfiança civilizacional contra tentativas de enfraquecê-las.
Larissa Ferreira
Fonte: @ndmais

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