“O poder não é podre; podres são aqueles que compõem o poder”, diz desembargadora

“O poder não é podre; podres são aqueles que compõem o poder”, diz desembargadora

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Via @midianews.oficial | A desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), defendeu o Poder Judiciário e afirmou que as falhas de alguns de seus integrantes não devem comprometer a imagem da instituição perante a sociedade.

“O poder não é podre, podres são aqueles que compõem, eventualmente, num dado momento, o poder”, declarou.

"O Judiciário já passou do tempo de quebrar essa redoma de vidro."

A manifestação ocorreu durante a sessão que elegeu a nova Mesa Diretora do TJ-MT, realizada na quinta-feira (8). Foram escolhidos os desembargadores José Luiz Leite Lindote e Gilberto Giraldelli para os cargos de presidente e vice-presidente, respectivamente. Já a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos foi eleita para comandar a Corregedoria-Geral da Justiça.

Ao pedir a palavra, após parabenizar os colegas eleitos, a magistrada refletiu sobre o cenário atual do sistema judiciário brasileiro e defendeu que eventuais desvios sejam atribuídos às pessoas que os cometem, sem comprometer a imagem de toda a instituição.

“Nós não podemos estender isso ao Judiciário, que é composto de muitos e muitos juízes que desbravam-se Brasil afora, e nós, Mato Grosso é uma experiência disso. Nós temos inúmeros casos no Brasil afora de pessoas que honram a toga, pessoas que realmente sabem o peso da caneta que carregam”, afirmou.

A declaração ocorre em meio a investigações e denúncias que atingem o Judiciário, incluindo suspeitas envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), investigações sobre um suposto esquema de venda de sentenças em Mato Grosso e o afastamento de cerca de dez magistrados no estado.

Maria Helena também fez um apelo para que a nova gestão do tribunal amplie o diálogo com a sociedade e fortaleça a imagem da Justiça.

Para a magistrada, o Judiciário precisa superar o distanciamento da população e mostrar que, apesar dos casos de irregularidades envolvendo alguns de seus integrantes, a instituição é formada por profissionais que contribuem para a democracia.

“O Judiciário já passou do tempo de quebrar essa redoma de vidro. O Judiciário precisa conversar com a sociedade, precisa explicar à sociedade que não é o poder que tem as suas mazelas, as mazelas são do ser humano, e esses, sim, precisam ser apontados e expurgados, mas o poder não”, disse.

Na avaliação da desembargadora, é necessário reconhecer e combater os desvios individuais sem generalizar as falhas para todo o Poder Judiciário.

“O Judiciário é composto de homens e mulheres com defeitos, sim, aqueles com defeitos, mas também com aqueles que engrandecem muito a democracia”, concluiu.

Vídeo: 

Andrelina Braz
Fonte: @midianews.oficial

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