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Influencer e advogada: quem é argentina que fez ofensas racistas no Rio

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Via @uolnoticias | A argentina Agostina Páez, 29, que teve seu passaporte apreendido por suspeita de racismo contra um funcionário de um bar no Rio, tem notoriedade nas redes sociais do país, com milhares de seguidores.

Quem é Agostina Páez

Advogada e influenciadora digital. Segundo o jornal La Nación, ela é natural da província de Santiago del Estero, no norte da Argentina, e ficou conhecida nas redes sociais, onde reunia cerca de 40 mil seguidores no Instagram e quase 80 mil no TikTok. Após a repercussão do caso, seus perfis foram privados.

Ela diz que fechou as redes sociais por segurança. Segundo Páez, em entrevista ao jornal argentino El Liberal, o volume de mensagens com ofensas e ameaças a levou a desativar suas contas em plataformas digitais por questões de segurança. "Estou morrendo de medo, literalmente", disse.

O sobrenome da influenciadora já era conhecido na Argentina por causa do pai dela. Agostina é filha de Mariano Páez, empresário do setor de transporte que responde a processo por violência de gênero, segundo o site argentino Info del Estero, o que ampliou sua exposição pública nos últimos meses.

O pai foi preso e responde a processo por agressão e ameaças. Mariano Páez foi detido em 10 de novembro, acusado de agredir fisicamente e ameaçar a ex-companheira, a advogada Estefanía Budan. Em dezembro, a Justiça autorizou sua libertação com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com a denunciante, enquanto a investigação segue em andamento.

A própria Agostina também entrou na Justiça por conflitos ligados ao caso. Ela apresentou uma denúncia contra Budan por intimidação, difamação e violência digital, tanto em nome próprio quanto representando a irmã. Em entrevista ao jornal El Liberal, a advogada afirmou que não defende o pai e disse que sua ação judicial teve como objetivo proteger sua família.

Entenda o caso

Agostina foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu na quarta-feira (14), mas ela só prestou depoimento no sábado, quando teve o passaporte apreendido.

Vítima, que não teve a identidade revelada, registrou boletim de ocorrência na quarta-feira. De acordo com a polícia, o homem, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de "negro" de forma pejorativa e discriminatória.

Confusão foi iniciada após a argentina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. Para sanar dúvidas, o gerente pediu à Agostina que aguardasse enquanto ele iria conferir as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para verificar o que ela havia consumido.

Durante o período de espera, Agostina deu início aos xingamentos e ofensas discriminatórias contra um funcionário do bar, segundo a polícia. Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra "mono", expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista.

Turista estava no bar acompanhada por duas amigas, que não são investigadas. Ela teve o passaporte apreendido, está proibida de deixar o Rio de Janeiro sem autorização e deverá usar tornozeleira eletrônica.

Paez disse em depoimento que estava 'brincando'

Em depoimento, a argentina negou que o gesto de imitar um macaco tenha sido com conotação discriminatória. "Ela alegou que os gestos corporais simulando o primata, o macaco, ela estava se portando às suas amigas em um tom de brincadeira, não à vítima [que é um homem negro]", disse o delegado Diego Salarini.

Agostina disse que não sabia que seu comportamento era considerado crime no Brasil. No depoimento, ela também afirmou que foi provocada pelos funcionários do bar, que teriam feito "gestos obscenos" para ela e as amigas.

Racismo x injúria racial

A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.

O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.

Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.

Saiba como denunciar

Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.

Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia da sua cidade.

Fonte: @uolnoticias

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