A magistrada, da 3ª turma de Direito Penal, afirmou que a categoria vem sendo tratada como vilã e disse que, “daqui a pouco”, juízes e desembargadores estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.
Eva se manifestou sobre o tema em 9 de abril. Aos colegas, pediu desculpas e disse que fazia um “desabafo sobre uma situação muito triste”.
Na fala, a desembargadora afirmou que foram criadas narrativas que passaram a retratar o juiz como alguém sem escrúpulos, que quer “ganhar muito sem fazer nada”. Segundo ela, a imagem da magistratura foi invertida perante a sociedade.
“Hoje nós passamos de cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história. Nós somos os bandidos agora."
Ao rebater a visão de que juízes buscam vantagens indevidas, Eva criticou o uso do termo “penduricalho” e disse que a expressão foi lançada de forma ofensiva contra a categoria.
“Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas, como um privilégio, um penduricalho, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive com uma tensão enorme."
Segundo a desembargadora, a pressão já afeta integrantes da carreira, e há colegas que estariam com dificuldade para pagar contas.
Eva também afirmou que não existe hoje nenhuma voz em defesa dos magistrados e reclamou da reação pública contra a categoria.
“Quanto mais a gente se defende, mais a gente é execrado.”
A desembargadora também reclamou da carga de trabalho enfrentada por juízes e desembargadores e disse que a população não conhece a rotina da magistratura.
“Eu queria que parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador, para ver como é que a gente trabalha. Enormes horas extras, sacrificando fim de semana.”
Na avaliação da desembargadora, a própria população sentirá os efeitos desse cenário quando recorrer à Justiça.
“A população vai sentir quando ela procurar a Justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou."
Assista ao momento:

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