A prisão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no apartamento da advogada, no Cacuia, na Ilha do Governador. A ação foi realizada por agentes da 37ª DP (Ilha do Governador), com acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).
De acordo com a corporação, os policiais encontraram a carteira de identidade e a certidão de óbito originais da idosa, que morreu em julho de 2019.
A Polícia Civil informou que o filho da vítima cobrava os documentos havia cerca de sete anos. Segundo o relato apresentado aos investigadores, a advogada dizia que os papéis estavam guardados em caixas.
Jéssica foi presa em flagrante e autuada por ocultação de documento público. Durante a operação, os policiais também procuraram o celular da advogada. Segundo a investigação, o aparelho havia sido autorizado pela Justiça para apreensão e posterior extração de dados.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o telefone não foi localizado inicialmente. Depois de mais de uma hora de buscas, os agentes encontraram o aparelho escondido dentro do ralo do banheiro.
A corporação afirma que a advogada teria colocado o celular no local para impedir que fosse apreendido.
Além do telefone, foram recolhidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro.
Na delegacia, segundo a polícia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. Os objetos já haviam sido descritos por ele em depoimento anterior.
Advogada foi nomeada curadora em 2014
Segundo a investigação, Jéssica era vizinha da idosa, que morava sozinha no Cocotá, também na Ilha do Governador. A mulher recebia pensão militar e benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em 2014, Jéssica foi nomeada curadora da idosa pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio dela.
De acordo com a Polícia Civil, os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. A investigação, no entanto, identificou transferências de dinheiro da conta da idosa para uma conta pessoal da advogada.
Os investigadores também encontraram movimentações financeiras que teriam ocorrido depois da morte da mulher.
Segundo a corporação, seis dias após o óbito houve uma transferência de dinheiro da conta da idosa para a advogada, seguida de um saque. A investigação também identificou compras feitas com o cartão da vítima no ano seguinte à morte.
Advogada já responde a outros processos
A Polícia Civil informou que Jéssica já responde na Justiça por 16 crimes relacionados ao patrimônio da antiga curatelada.
São 12 acusações de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas.
Segundo a investigação, as acusações também estão relacionadas à suposta omissão de rendimentos nas prestações de contas apresentadas durante a administração do patrimônio da idosa.
A polícia ressalta que as acusações ainda são objeto de processos judiciais.
Documentos teriam dificultado inventário
De acordo com o relato do filho da vítima à polícia, a retenção dos documentos dificultou a abertura do inventário e a regularização da sucessão.
A Polícia Civil afirma que, mesmo depois de diversas cobranças, os documentos originais não foram devolvidos. Segundo a corporação, a advogada chegou a enviar fotografias dos papéis, o que indicaria que sabia onde eles estavam.
O filho também informou que precisou obter uma segunda via da certidão de óbito para acionar o seguro de vida da mãe. Segundo ele, o documento só foi obtido em 2023.
Os documentos originais foram localizados nesta sexta-feira (2) pelos policiais no apartamento da advogada.
Objetos serão periciados
Segundo a Polícia Civil, os aparelhos eletrônicos apreendidos serão submetidos à extração de dados.
Os talheres e o relógio reconhecidos pelo filho da idosa passarão por perícia e avaliação. A corporação informou que, posteriormente, os objetos deverão ser restituídos ao herdeiro.
Após os procedimentos na delegacia, Jéssica será encaminhada à Justiça. As investigações continuam na 37ª DP (Ilha do Governador).
Histórico criminal
A Polícia Civil informou ainda que, de acordo com o levantamento de antecedentes realizado durante a investigação, a advogada possui registros relacionados a outros crimes, como coação no curso do processo, perseguição, furto, ameaça e falsa identidade.
Os casos são distintos da investigação que levou à prisão em flagrante nesta sexta-feira.
Fonte: @portalg1

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