‘Estou acostumado com advogado desse tipo', diz desembargador sobre homem preso após fazer própria defesa no TJMG

‘Estou acostumado com advogado desse tipo', diz desembargador sobre homem preso após fazer própria defesa no TJMG

estou acostumado advogado desse tipo diz desembargador homem preso apos fazer propria defesa tjmg
Via @itatiaiaoficial | Preso desde 28 de agosto e indiciado por fraude processual, estelionato e exercício irregular da profissão, Antônio Carlos Cabral Coelho atuava com o registro profissional cancelado quando fez a própria defesa em uma audiência virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em junho deste ano. A participação na sustentação oral chamou a atenção de Eduardo Machado, desembargador do 3º Grupo de Câmaras Criminais do TJMG, que pesquisou o histórico do suspeito e descobriu as irregularidades.

Segundo o TJMG, Antônio Carlos consta como advogado em mais de 2 mil processos que estão tramitando em Minas Gerais e em São Paulo. A Itatiaia não conseguiu contato com a defesa de Antônio. O espaço segue aberto.

O magistrado revelou já estar acostumado com episódios desse tipo, destacando que, nos quatro anos em que esteve na presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), instaurou de ofício cerca de 60 processos contra advogados envolvidos em desvios semelhantes.

A conduta de Antônio Carlos durante a sessão virtual diante de 15 desembargadores, em 15 de junho, foi o ponto de partida para a descoberta. "O que me chamou atenção em primeiro lugar foi a falta de interesse e de cuidado do advogado em preservar a sua imagem", declarou Eduardo Machado, ressaltando que não é comum uma pessoa comparecer em causa própria para tentar sustentar um recurso sem respaldo após já ter sido condenada em primeira instância e ter perdido recursos anteriores.

Conforme explicado pelo desembargador, o motivo da condenação original envolveu a apropriação indevida de valores de um cliente. "A questão diz respeito à apropriação de numerário de parte desse cidadão, ex-advogado de um cliente que ficou sem o dinheiro e no prejuízo", afirmou Machado, pontuando que o acusado foi se expor desnecessariamente "para tentar sustentar aquilo que não tem sustentação".

Histórico

O desembargador enfatizou sua familiaridade com casos dessa natureza. "E essa questão, como se diz até vulgarmente, esse cheiro de advogado deste tipo, eu já estou acostumado", frisou Machado, ao recordar o período em que presidiu o órgão disciplinar da OAB. Nesse período, Machado abriu de ofício perto de 60 processos contra profissionais "deste nível que recebiam dinheiro, ficavam com o dinheiro e deixavam o cliente no prejuízo".

Entre os casos marcantes, o magistrado recordou o relato de um cidadão que procurou a Rádio Itatiaia, quando a sede ainda era no bairro Bonfim, após ter valores retidos por um advogado. Sem dinheiro sequer para a condução, o homem caminhou a pé do bairro Bonfim até o bairro Cruzeiro para fazer a representação. "Eu paguei a condução e ainda o almoço. E isso me fez um bem danado. Principalmente quando conseguimos o dinheiro de volta", relatou o desembargador.

Questionamentos

Diante das mudanças na estrutura do Tribunal de Ética da OAB — que, segundo Machado, passou de cinco turmas julgadoras em sua época para as atuais 23 turmas, somando 230 integrantes —, Eduardo Machado deixou questionamentos sobre o cenário atual de apuração. "Será que o número de advogados ficando por dinheiro de cliente aumentou? Ou isso aí é alguma questão política?", indagou o desembargador.

Por Rômulo Ávila
Fonte: @itatiaiaoficial

0/Comentários

Agradecemos pelo seu comentário!

Anterior Próxima