A publicação foi feita por Campopiano após o resultado das Eleições de 2026 e alcançou mais de três milhões de visualizações na rede social X, antigo Twitter. Na mensagem, a vereadora de Praia Grande (SP) escreveu: “Oi Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”.
Erika Hilton foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos. Já Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), tornando-se a candidata mais votada do estado para o cargo. Sofia Favero terminou em terceiro lugar, com 407.773 votos.
A denúncia foi encaminhada na segunda-feira (5) ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. Sofia Favero solicitou a instauração de investigação e a responsabilização de Campopiano. Segundo a representação, a declaração não pode ser tratada apenas como crítica política ou manifestação protegida pela liberdade de expressão. Para Favero, o conteúdo representa um ataque não apenas a Erika Hilton, mas também às mulheres trans.
O documento cita o artigo 359-P do Código Penal, que trata da violência empregada para restringir ou dificultar o exercício de direitos políticos em razão, entre outros fatores, do sexo. Também é mencionado o artigo 326-B do Código Eleitoral, que prevê punição para assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidata ou detentora de mandato, quando praticados com menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Procurada pelo g1, Erika Hilton afirmou que Sofia Favero já estava tomando as providências sobre o caso.
SOBRE CAMPOPIANO
Aos 23 anos, Eduarda Campopiano ganhou projeção nacional por meio das redes sociais e de posicionamentos alinhados ao conservadorismo e ao bolsonarismo. Nascida em Campinas, em 22 de julho de 2003, ela entrou na política eleitoral em 2024, quando foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos.
Na época da posse, aos 21 anos, tornou-se uma das parlamentares mais jovens da história recente da Câmara Municipal de Praia Grande. Em 2026, ampliou sua votação e superou nomes tradicionais da política paulista na disputa pela Assembleia Legislativa. Durante a campanha, Eduarda defendeu pautas como a família tradicional, a vida desde a concepção e a presença de princípios cristãos na política. Também se posicionou contra políticas de cotas raciais, pautas progressistas, o feminismo contemporâneo e o que classifica como “cultura woke”.
Na segurança pública, defendeu o porte de armas de fogo como uma possível ferramenta de proteção para mulheres. Em temas sociais, também se manifestou contra iniciativas destinadas ao reconhecimento formal da prostituição como profissão.
OUTRAS CONTROVÉRSIAS
A ascensão política de Campopiano ocorreu em meio ao crescimento de uma nova geração de políticos conservadores que utiliza as redes sociais como principal ferramenta de mobilização. Durante a campanha, ela fez dobradinha com Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal com a maior votação da história para o cargo em SP.
Antes da eleição, Campopiano também havia se envolvido em outra controvérsia de repercussão nacional. Em um podcast, a então vereadora afirmou agradecer a Deus pela chegada dos colonizadores ao Brasil e associou povos indígenas a práticas como canibalismo e sacrifícios. As declarações provocaram reação de integrantes do movimento indígena. A artista e liderança indígena Katú Mirim registrou um boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor, alegando que as falas ofenderam a cultura, a história e os povos indígenas.
Fonte: @jurinewsbr

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