Em coletiva à imprensa na manhã desta terça-feira (27), a Polícia Civil detalhou que os investigados são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o outro advogado.
Coação é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial – juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar interferir no resultado.
Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência.
A Polícia Civil não informou se teve acesso a esse registro específico, mas disse que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança. Ele foi afastado por segurança pessoal.
Quantas pessoas foram ouvidas?
Somente no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos.
Quem são os adolescentes?
Os nomes e idades dos suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos.
Segundo o a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26) — os demais estão nos Estados Unidos para "viagem pré-programada".
➡️ Como a investigação está dividida?
A investigação se concentra em duas frentes:
- Auto de apuração de ato infracional: aberto pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), após ter sido constatado a suspeita de envolvimento de adolescentes.
- Inquérito policial: instaurado para apurar a coação realizada por familiares dos adolescentes investigados a testemunhas. Procedimento foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) e concluído na noite de segunda-feira (26).
Como o cão Orelha foi morto e onde ele vivia?
A investigação indica que as agressões ocorreram em 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16 deste mês.
Embora não existam imagens do momento exato do espancamento, conforme a delegada Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, ajudaram a esclarecer a ocorrência e identificar os suspeitos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo também teria tentado afogar outro cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia. Valcareggi informou que há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo. Em complemento, testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cão no mar.
Orelha foi encontrado por populares machucado e agonizando. Ele foi recolhido e levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Exames periciais no corpo de Orelha confirmaram que ele foi atingido na cabeça com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi encontrado.
Quem era Orelha?
A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.
Ao g1, a médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, contou que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência. Segundo ela, o cachorro era dócil, brincalhão e fazia sucesso com os turistas.
“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.
Orelha, cão de rua comunitário, é torturado por adolescentes e não resiste aos ferimentos
Por Sofia Mayer, g1 SC
Fonte: @portalg1

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