Segundo as investigações, o modus operandi consistia em receber valores, desaparecer após o pagamento e forjar documentos para simular ações judiciais que nunca foram protocoladas. Em um dos casos, uma cliente pagou R$ 800 para a transferência de três veículos de seu falecido pai. A advogada não ajuizou a ação e, para encobrir a fraude, inventou decisões favoráveis e forneceu um número de processo inexistente, utilizando o inventário do pai da vítima para extorquir a cliente.
A mesma cliente voltou a contratar a profissional para resolver problemas de cupins e vícios construtivos em seu imóvel financiado. Na ocasião, a advogada cobrou honorários e supostas custas judiciais, entregando números de processos falsos ou cancelados. No inventário do pai da vítima, Gessyka cobrou R$ 7.100 em honorários e simulou conversas e reuniões diretas com o juiz do caso, enviando vídeos e prints falsos para convencer a família a continuar pagando, mesmo sem atuar no processo.
A advogada ainda alegou que o falecido pai da vítima possuía investimentos ou seguros no Banco do Brasil e exigiu dinheiro para “molhar a mão” de um funcionário para acelerar o saque. Posteriormente, protocolou uma ação em branco que foi cancelada imediatamente apenas para gerar um número falso para a cliente. Quando a vítima descobriu as fraudes e ameaçou denunciar o caso à OAB e à polícia, passou a receber mensagens de áudio e texto com ameaças graves, incluindo frases como: “Vou quebrar sua cara, vou quebrar seu carro”.
A advogada da vítima, Emanuela de Araújo Pereira, afirmou que o comportamento de Gessyka consistia em enganar pessoas idosas com pouco conhecimento sobre ações judiciais. “Ela possui um modus operandi semelhante ao que ela fez com outras pessoas, são muitos casos. Futuramente, nos desdobramentos dessa ação, ela pode vir a ser condenada por estelionato, e também pode sofrer algumas sanções perante a OAB”, explicou.
Três vítimas procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para denunciar a advogada por estelionato, enquanto uma quarta pessoa registrou ocorrência por falsificação de documento particular. Também há registros policiais por apropriação indébita, com fatos investigados ocorridos entre 2021 e 2025. Gessyka responde a pelo menos 12 ações judiciais movidas por ex-clientes que pedem indenizações por danos morais e materiais.
Uma moradora de Samambaia denunciou a retenção indevida de valores após vencer uma indenização trabalhista. Segundo o processo, a advogada teria deixado de repassar mais de R$ 20 mil à cliente, interrompido as comunicações e, supostamente, utilizado uma procuração com assinatura falsa da mulher para obter os valores. Outra ex-cliente relatou ter contratado a advogada para recorrer de uma reprovação em avaliação biopsicossocial de concurso da Secretaria de Educação do DF, pagando R$ 2.304,10 em honorários por uma ação que nunca foi ajuizada.
Em decisão proferida em julho do ano passado, a Justiça do DF condenou Gessyka ao pagamento de R$ 2 mil por danos materiais e R$ 5 mil por danos morais para a ex-cliente do concurso. Em sua defesa, a advogada afirmou desconhecer as acusações e negou a falsificação de documentos, alegando que todos possuem QR code próprio. Ela também negou a retenção de R$ 20 mil e afirmou que os Pix recebidos referiam-se a taxas de manutenção processual.
“Diante da OAB, minha conduta continua ilibada, e continuo com a situação regular. Falácias são falácias até que se prove o contrário. Inclusive, eu mesma estou demandando em processos de pessoas que foram citadas e que não me pagaram, mesmo tendo toda a assessoria”, pontuou Gessyka. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) informou, em nota, que não se manifesta sobre processos disciplinares em apreciação pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED), em observância ao Art. 72 da Lei nº 8.906/1994 do Estatuto da Advocacia e da OAB.
Fonte: @jurinewsbr

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