Segundo o boletim de ocorrência, por volta das 11h30, o advogado recebeu uma ligação de um homem que se identificou como Rogério. O suspeito afirmou pertencer ao Comando Vermelho e disse que, a partir daquele dia, seria cobrada uma suposta “taxa” para garantir a segurança do bairro.
A vítima se recusou a pagar, mas, diante da negativa, o homem passou a fazer ameaças mais graves. Disse que a cabeça do advogado estaria “a prêmio” dentro da facção por R$ 50 mil. Em seguida, passou a ameaçar também a esposa e o filho da vítima.
Para dar credibilidade à ameaça, o suspeito citou dados pessoais da mulher, incluindo informações sobre o local onde ela trabalhava, além do nome do filho do advogado.
Com medo de que as ameaças fossem concretizadas, a vítima realizou dois pagamentos via Pix. Os valores, enviados para uma conta em nome de uma mulher, foram de R$ 1.999,12 e R$ 993,01, totalizando R$ 2.992,13.
As ameaças, porém, não pararam. Posteriormente, o suspeito fez uma chamada de vídeo e passou a mencionar também os pais do advogado e o sogro dele, que possui um estabelecimento comercial na cidade.
Temendo pela segurança dos familiares, o advogado fez novos pagamentos, desta vez em caixa eletrônico. Foram cinco depósitos: dois de R$ 2 mil, um de R$ 1.900, um de R$ 1 mil e outro de R$ 100. Ao todo, foram mais R$ 7 mil.
Somados os dois pagamentos via Pix aos depósitos, o prejuízo chegou exatamente a R$ 9.992,13.
Mesmo após receber o dinheiro, o homem continuou fazendo ameaças. A insistência fez com que o advogado começasse a desconfiar de que havia caído em um golpe e procurasse a delegacia para denunciar o caso.
O comportamento do suspeito mudou quando percebeu que a vítima estava dentro da delegacia. Segundo o registro, o advogado ainda estava em chamada de vídeo com o homem quando ele percebeu a situação.
Na sequência, o suspeito encerrou a ligação e apagou todas as mensagens e informações que havia enviado anteriormente pelo WhatsApp.
A vítima manifestou interesse em representar criminalmente contra os responsáveis. A investigação deverá buscar identificar quem utilizou os números de telefone, quem recebeu os valores transferidos e se outras pessoas participaram do esquema.
Advogado já defendeu investigados por contrabando
O advogado vítima do golpe já apareceu em reportagens do Campo Grande News relacionadas à chamada “Máfia dos Cigarros”. Ele atuou na defesa de investigados em casos envolvendo contrabando de cigarros na região de fronteira e também de réus apontados como integrantes de organizações ligadas ao esquema.
Em uma das ações, participou da defesa de um homem apontado nas investigações como um dos envolvidos no comércio ilegal de cigarros. O advogado também já representou outros investigados em processos relacionados ao mesmo tipo de crime.
Apesar de o golpista ter afirmado pertencer ao Comando Vermelho, o registro policial não aponta, até o momento, qualquer comprovação de envolvimento da facção no caso. A referência ao grupo criminoso aparece no relato como parte das ameaças utilizadas para intimidar a vítima e conseguir os pagamentos.
Por Bruna Marques
Fonte: @campograndenews

Postar um comentário
Agradecemos pelo seu comentário!