Entenda o caso
"Isso não é Halloween", afirmou a juíza ao analisar o caso. A declaração ocorreu depois que a defesa questionou se a roupa usada pelo brasileiro seria suficiente para sustentar uma das acusações. "Halloween será no dia 31. Não é agora e não é durante as eleições brasileiras no Miami Dade College", disse Glazer.
Defesa argumentou que a roupa havia sido comprada na Amazon e contestou a acusação de uso ilegal de insígnia policial. A advogada afirmou que não havia indicação suficiente de que Silva tivesse usado um distintivo ou emblema policial e argumentou que, pela interpretação apresentada pela acusação, qualquer pessoa que comprasse e vestisse aquela fantasia poderia cometer um crime.
Juíza respondeu que era preciso levar em consideração o contexto. Ao analisar o relato da prisão, Glazer mencionou que o brasileiro estava de boné e jaqueta com a identificação do ICE, óculos, máscara cobrindo o rosto e botas de aparência tática. A magistrada também citou relatos de que eleitores ficaram assustados e acreditaram que agentes de imigração poderiam estar interferindo na eleição.
Brasileiro foi preso no último domingo em um local de votação no Miami Dade College. Segundo o gabinete do xerife de Miami-Dade, ele circulava com trajes semelhantes aos usados em operações do órgão e botas. Investigadores do condado e agentes do Departamento de Segurança Interna estavam no local.
O brasileiro foi solto após pagar fiança de US$ 5.650 (cerca de R$ 28 mil). Segundo a CBS Miami, registros do sistema prisional de Miami-Dade mostram que o brasileiro pagou o valor estabelecido e deixou a prisão.
A decisão da juíza
Testemunhas disseram que o brasileiro caminhava de forma agressiva pelo local. Segundo as autoridades, algumas pessoas acreditaram que Silva fosse de fato um agente de imigração e ficaram com medo. O brasileiro teria circulado por diferentes áreas onde ocorria a votação. Ele tem uma nova audiência marcada para 19 de outubro, quando os promotores devem decidir sobre a apresentação formal das acusações.
Glazer considerou haver causa provável para a acusação de intimidação ou supressão de eleitores. A juíza classificou a imputação como crime de terceiro grau e estabeleceu fiança de US$ 2.500 (cerca de R$ 12,5 mil) por essa acusação. Ela também determinou que o brasileiro fique longe do Miami Dade College, onde ocorreu o episódio.
O brasileiro havia ido ao local para votar e depois retornou vestido como agente do ICE. O brasileiro teria inicialmente comparecido usando uma camisa do Brasil, votado e retornado ao carro para trocar de roupa. Depois, voltou ao local com o traje do ICE. Segundo o relatório policial apresentado à juíza, ele disse que queria observar a reação das pessoas.
Ele também é acusado de oferecer dinheiro aos policiais para ser liberado. Durante a audiência, a acusação afirmou que, enquanto estava no carro da polícia, Silva disse: "Eu pago vocês se me deixarem ir". Glazer considerou haver causa provável para a acusação e estabeleceu fiança de US$ 1.000 (cerca de R$ 5 mil).
Além disso, homem teria ameaçado um dos investigadores. Segundo o relato apresentado à magistrada, Silva disse que o detetive "se arrependeria dessa decisão" e que iria atrás dele e das demais pessoas que estavam no local. A juíza considerou haver causa provável também nesse ponto e fixou fiança de US$ 1.000 (cerca de R$ 5 mil).
Defesa ainda tentou derrubar a acusação relacionada ao uso de identificação policial. A advogada apresentou uma objeção à existência de causa provável, mas a magistrada manteve a acusação nessa fase do processo e estabeleceu fiança de US$ 500 (cerca de R$ 2,5 mil. A magistrada também encontrou causa provável para a acusação de conduta desordeira e estabeleceu outros US$ 150 (cerca de R$ 750).
Fonte: @uolnoticias

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