A intimação foi feita no dia 11 de setembro de 2026, e o oficial foi até o endereço indicado cinco dias depois para tentar notificar a vítima assassinada de que ela deveria comparecer e dar depoimento em 14 de outubro. Ele devolveu o mandado à Justiça informando apenas que ela não morava no local.
"Não é um ato comum, acredito que foi alguém que não prestou atenção no que estava fazendo. Eu, particularmente, nos meus anos de advocacia, nunca vi se intimar uma vítima morta. O processo penal só está instaurado, inclusive, para apurar a morte dela", diz o advogado Napoleão Lima Júnior, que é assistente de acusação e atua junto a amigos da vítima.
Ele explica que a notificação não causou prejuízo ou atraso ao processo e que a audiência para a qual Cláudia foi convocada servia para ouvir outras partes do processo. Esse encontro foi adiado após ele requisitar, por não ter sido intimado a tempo.
Em nota, a 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro lamentou o equívoco e informou que "as providências cabíveis já estão sendo adotadas para a correção do equívoco e a apuração das circunstâncias em que ocorreu, com o objetivo de evitar que situações semelhantes se repitam."
"A unidade judiciária reafirma seu compromisso com a responsabilidade, a diligência e o respeito a todos os cidadãos."
A comissão de amigos que acompanha o caso se manifestou em nota enviada ao UOL e se disse surpresa com a notificação à vítima.
"A luta por justiça permanece firme, pautada no compromisso com a verdade, no respeito às instituições e na expectativa de que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas", diz.
Intimação feita pela Justiça à vítima morta em Marechal Deodoro (AL)
Imagem: Reprodução/Arte UOL
O caso
Cláudia Pollyanne Farias de Sant'Anna era esteticista, tinha 41 anos e morreu no dia 9 de agosto de 2025 enquanto estava internada em uma clínica de reabilitação clandestina em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió.
Ela foi internada a pedido de uma tia um ano e três meses antes de morrer. Segundo a investigação, a internação de Cláudia Pollyanne foi realizada de forma involuntária e ilegal, sem autorização judicial e sem respaldo técnico adequado.
Cláudia antes e na clínica
Imagem: Comissão de amigos
A investigação apontou que o responsável pela clínica deixou Cláudia na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Marechal Deodoro e deixou o local. A equipe médica constatou que a vítima já chegou sem vida, com estimativa de morte ocorrida cerca de quatro horas antes.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que Cláudia sofreu agressões físicas e intoxicação por medicamentos.
O MP (Ministério Público de Alagoas) denunciou três pessoas, sendo duas delas da clínica, acusadas do homicídio cometido de forma cruel e sem chance de defesa. Além disso, eles e a tia da vítima também foram denunciados pelos crimes de sequestro e cárcere privado.
A denúncia do MP foi aceita em 31 de março pela juíza Fabíola Melo Feijão, e o processo está em fase de instrução.
Carlos Madeiro
Fonte: @uolnoticias



Postar um comentário
Agradecemos pelo seu comentário!