Uma eventual proibição dessa natureza impactaria diretamente iniciativas como o Exército do Lula, canal administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) que conta com mais de 8,5 milhões de usuários. Ao serem questionados pelas jornalistas Mariana Muniz e Pepita Ortega sobre a possibilidade de uma mudança nas normas ser interpretada negativamente, Nunes Marques defendeu a necessidade de adaptação tecnológica.
“Às vezes, pode se tornar necessário. As mudanças também podem beneficiar o processo eleitoral. Se surgir uma tecnologia nova, que não esteja abrangida pela resolução, vamos permitir que ela influencie o processo eleitoral ou vamos refletir sobre a possibilidade de restringir seu uso?”, questionou o ministro. Ele complementou que, embora o ideal seja a estabilidade das regras, a regulamentação existente pode se mostrar insuficiente diante de novas tecnologias.
Durante a entrevista, o magistrado também comentou mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que sugerem a participação do ministro em uma festa custeada pelo banqueiro com garotas de programa.
Nunes Marques classificou o conteúdo como “recortes e retalhos extraídos de celulares de terceiros, de pessoas que eu não conheço e não autorizei que falassem por mim”. O ministro afirmou ainda que percebe um esforço para retirá-lo do processo, com o objetivo de que ele se declare impedido.
Ao ser indagado sobre quem estaria por trás desse movimento, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral limitou-se a responder: “De quem tem interesse nisso”. Questionado novamente sobre a identidade dos interessados, Nunes Marques afirmou que “muita gente” teria esse objetivo, acrescentando: “Esse filme eu já vi acontecer lá atrás com outro colega”.
O ministro negou ter mantido negócios com Vorcaro, embora não tenha descartado o conhecimento social. “Estão criminalizando o conhecimento social que as pessoas têm. Se quer saber se fiz algum negócio com ele, aí é diferente. Isso nunca existiu. Eu nunca pedi nada a ele. Ele nunca me pediu nada. Agora, se nos encontramos alguma vez em algum lugar, também não tem como saber. Em Brasília, você encontra todo mundo”, declarou.
Por fim, Nunes Marques refutou as alegações de que seu filho teria recebido pagamentos do Banco Master. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal mencionam repasses de R$ 500 mil mensais a Kevin Marques, que seriam realizados por meio da empresa Consult. O ministro negou qualquer vínculo financeiro e afirmou que o sigilo de seu filho foi quebrado indevidamente.
“Meu filho nunca recebeu nada do Master e nenhum parente meu jamais advogou para o banqueiro. Ficou comprovado que ele recebeu R$ 281,6 mil (dez parcelas de R$ 28 mil) da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos. Estes são os fatos. Nunca votei a favor de Vorcaro, inclusive dei voto pela manutenção da prisão”, concluiu.
Fonte: @jurinewsbr

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