STF forma maioria para permitir escutas policiais sem limite de tempo

Feed mikle

STF forma maioria para permitir escutas policiais sem limite de tempo

stf permitir escutas policiais limite tempo
Via @uolnoticias | O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, em julgamento retomado hoje, para manter a permissão legal de que as polícias prorroguem grampos telefônicos por tempo ilimitado em investigações criminais. Até o momento, sete ministros votaram para determinar que uma escuta pode ser renovada a cada 15 dias "enquanto for necessária, adequada e proporcional". Os magistrados ainda debatem, contudo, as condições necessárias para que as interceptações sejam continuadas.

O plenário analisa desde ontem um recurso do MPF (Ministério Público Federal) contra uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de 2009. Naquele ano, o tribunal anulou todas as provas da operação Sundown, uma apuração criminal no Paraná em que os grampos foram autorizados e mantidos por mais de dois anos pelo então juiz federal Sergio Moro, protagonista da Lava Jato anos mais tarde.

O relator do processo, Gilmar Mendes, votou contra impor um limite temporal para as escutas, desde que se respeitem certas condições, mas negou o pedido para revalidar os grampos autorizados por Moro. Aquela investigação, que teve a participação do então procurador Deltan Dallagnol, não reuniu indícios que justificassem a manutenção das escutas por todo o período, segundo Gilmar.

Nesse ponto, contudo, o plenário ainda está dividido. Enquanto três ministros acompanham a posição de Gilmar, outros quatro divergiram e votaram para aceitar o recurso do MPF contra a anulação. O placar é de 4 a 4 e o resultado ainda está em aberto.

Impacto

Embora concordem que não deve haver uma limitação automática à prorrogação das escutas, os ministros divergem sobre quais requisitos devem ser .cumpridos para que os grampos sejam mantidos. Ao final do julgamento, o tribunal deverá ajustar as discordâncias e consolidar uma tese, que deverá ser usada pelas demais instâncias da Justiça para situações semelhantes.

Segundo o Supremo, há pelo menos 96 processos em tribunais do país à espera dessa decisão. O caso Sundown corre no STF desde 2010, um ano depois que o STJ anulou a operação no Paraná.

O nome Sundown faz referência a uma empresa fabricante de bicicletas em Curitiba que estava, no início dos anos 2000, no centro do escândalo investigado pelo MPF. Foram apurados, à época, os crimes de corrupção, descaminho, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Rafael Neves
Do UOL, em Brasília
Fonte: noticias.uol.com.br

0/Comentários

Agradecemos pelo seu comentário!

Anterior Próxima

Continua após + Lidas da Semana