“Nós somos os prisioneiros, enquanto ele tem vida normal”, diz advogada agredida por ex

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“Nós somos os prisioneiros, enquanto ele tem vida normal”, diz advogada agredida por ex

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bit.ly/2lU6Xaq | O jovem de 22 anos, acusado de agredir a advogada Ana Cristina Rossi, 26, com um soco no rosto durante uma festa em Florianópolis, teve a audiência de instrução e julgamento marcada para 3 de outubro na Capital.

Hyuri Sérgio Duarte foi namorado da vítima por um ano e dois meses e não aceitava o término do relacionamento. O rapaz agrediu Ana Cristina e o atual companheiro ao vê-los juntos, em dezembro de 2018.

A acusação foi registrada pela vítima em 31 de dezembro, um dia após o ocorrido. Com base na Lei Maria da Penha, a Justiça expediu medida protetiva com caráter de urgência, impedindo o acusado de se aproximar de Ana e seus familiares a uma distância mínima de 800 metros.

O mandado ainda impede o contato de Hyuri por qualquer meio de comunicação, inclusive telefônica.

Mesmo com a determinação judicial, o acusado teria tentado se aproximar de Ana Cristina ao vê-la em uma festa de casamento, em julho deste ano.

“Eu estava com minha família e amigos na Armação, quando ele apareceu. Por conta da medida, ele não veio até nós, mas parece ter feito isso para nos intimidar de alguma forma”, contou a jovem.

A advogada, que reside atualmente em São Paulo com o namorado, afirma que o casal se mudou por medo de novas aproximações.

“O que desgasta e assusta é saber que somos nós os prisioneiros enquanto ele tem uma vida normal, continua saindo e curtindo”, desabafou.

Segundo a vítima, o atual companheiro chegou a ficar três meses sem trabalhar e sem voltar à Florianópolis nem mesmo para visitar os filhos, com medo de novas aproximações.

“Estamos batalhando para nos recuperarmos do prejuízo emocional e financeiro, que foi e tem sido muito alto”, afirmou a vítima.

Dez meses para audiência decisiva

O advogado de Ana Cristina, André Lozano Andrade, explica que o prazo, apesar de longo, ainda está dentro do previsto.

“Se observarmos o histórico no Brasil, em que alguns processos chegavam a demorar décadas para serem julgados, o prazo é relativamente rápido”, destacou.

Segundo o profissional, foram feitos, no prazo de nove meses, audições com testemunhas na delegacia e exames de corpo de delito nas vítimas.

“Os exames demoram um pouco mais, a fim de classificar a lesão como leve ou grave. A questão temporal ocorre pois é preciso constatar se as agressões causaram consequências mais graves”, explica.

A resposta em liberdade por parte do acusado também está em conformidade com a legislação, mesmo que Hyuri tenha confessado as agressões em um primeiro depoimento.

“Confissão não é o único meio de prova. Há casos em que uma pessoa pode assumir a culpa por outra, por isso a confissão não determina prisão”, completou o advogado.

Segundo Andrade, o réu alega que reagiu em legítima defesa. Porém, há no processo o testemunho de outras pessoas que presenciaram o fato.

“Em amparo da vítima, citaremos as consequências da agressão e o cometimento do crime por motivo torpe (machismo), mas sem desconsiderar que as garantias do acusado também sejam respeitadas”, concluiu.

Contraponto

À época da agressão, a equipe do ND+ entrou em contato com Hyuri, mas ele não comentou o assunto com detalhes, afirmando apenas que o relato da ex-companheira “não era verídico”.

Sobre os ferimentos nas vítimas, o suspeito havia confirmado que as agressões ocorreram. Na ocasião, o rapaz disse que tinha conhecimento da medida protetiva e que não iria mais procurá-la.

A reportagem não conseguiu novo contato com o acusado e nem com o seu defensor. O processo corre em segredo de Justiça.

Entenda o caso

As agressões ocorreram durante uma festa no dia 30 de dezembro, no Sul da Ilha. Ana Cristina estava acompanhada do atual namorado, de amigos e familiares.

O ex-namorado teria seguido a vítima até o local da festa – ocasião em que presenciou que Ana Cristina estava acompanhada de outro rapaz. Hyuri teria surgido de repente e intimidado a jovem.
A mulher foi atingida com um soco. Já o atual companheiro dela foi empurrado e caiu de uma altura de aproximadamente três metros. O homem foi internado no hospital com ferimentos graves.

Ana Cristina contou que havia terminado o relacionamento com Hyuri por conta do “ciúmes doentio” dele.

“Por eu ter impedido de vasculhar meu celular, ele me ameaçou e chutou a porta de um hotel, durante uma viagem ao Nordeste”.

Nos meses seguintes, conta a vítima, o ex voltou a importuná-la por telefone. “Eu o bloqueei dos meus contatos, mas ele trocava de telefone e mandava recados prometendo que iria mudar de comportamento”, disse a jovem.

Apesar de traumática, a situação acabou encorajando outras mulheres a denunciarem casos de perseguição e agressão por parte de ex-companheiros.

“Quando divulguei o caso em uma rede social, muita gente me procurou para dizer que passaram por situações parecidas. Foi um momento muito triste, mas, ao mesmo tempo, me senti porta-voz de outras mulheres que nunca tiveram coragem de pedir ajuda”, declarou.

Com a proximidade da audiência judicial, Ana Cristina espera que a justiça seja feita. “Acho que se houver uma sentença justa, as coisas irão se acalmar naturalmente, para mim e meu namorado”, espera.

Mônica Andrade, Florianópolis
Fonte: ndmais.com.br

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