Durante audiência, juíza manda ‘prender’ advogado por causa de celular

bit.ly/2lIvmQ4 | Durante uma audiência no Fórum de Cuiabá a juíza Renata do Carmo Evaristo de Parreira determinou a prisão do advogado Diego Osmar Pizzatto e acionou policiais militares para conduzirem o jurista à Central de Flagrantes da Capital. Conforme boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, a magistrada disse que presenciou o advogado entregando um aparelho celular para o cliente dele que estava preso no Centro de Ressocialização da Capital (CRC) e foi levado ao Fórum para participar de uma audiência.

O episódio foi registrado na tarde desta quinta-feira (5). Mesmo na condição de detido, o advogado se deslocou para a delegacia em seu próprio veículo, uma caminhonete Ford Ranger de cor branca. Por lá, teve “confiscados” seu celular, a carteira com documentos pessoais, cartões de crédito e carteira da OAB, além de uma quantia de R$ 2,7 mil.

Durante audiência no Fórum de Cuiabá juíza mandou policiais conduzirem advogado à delegacia – Foto: divulgação/TJMT

Ao final, depois de ficar na Central de Flagrantes por cerca de 40 minutos, o advogado Diego Pizzato foi liberado pelo delegado plantonista da Polícia Civil e teve os pertences devolvidos, pois a ocorrência foi classificada como “atípica”, ou seja, não houve a prática de nenhum crime na avaliação do delegado.

Ao portal AGORA MATO GROSSO, Diego afirmou que quando a magistrada determinou sua condução para a delegacia e registro de boletim de ocorrência, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) não foi comunicada. Em situações como essas, a OAB precisa ser informada para enviar um representante que possa acompanhar a situação e garantir as prerrogativas do advogado.

“Nem a magistrada, nem os policiais e nem o Ministério Público que estava presente na audiência, ninguém acionou a OAB para acompanhar a situação”, afirma o jurista. Ainda de acordo com ele, somente depois que já tinha sido liberado e assinado o livro de condutas atípicas é que Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) da OAB-MT enviou o  representante à delegacia, o advogado Diogo Pécora.

Ele foi orientado a protocolar junto à OAB-MT um pedido para que a instituição faça uma representação contra a juíza Renata do Carmo Evaristo. “Vou fazer o requerimento à OAB que vai aprovar ou desaprovar um desagravo público contra a magistrada”, explicou.

Entenda a confusão

Sobre o episódio do celular, Diego Pizzatto explicou, que na verdade, era seu aparelho pessoal. Disse que ligou para a esposa do cliente para ela esclarecer ao esposo que  não havia dito para ninguém que o advogado não participaria da audiência no Fórum. Afirma que quando levou o telefone ao ouvido do cliente, que estava com os pés e mãos algemadas, a juíza gritou com ele da outra sala afirmando que ele não poderia praticar tal ato naquele local.

Diego explica que precisou fazer algumas ligações porque chegou ao Fórum faltando 15 minutos do horário previsto, mas a juíza já havia iniciado a audiência sem ele. Indagada, a magistrada o informou que o próprio preso disse que seu advogado não iria comparecer e que não teria problema em ser representado pela Defensoria Pública.

Diego Pizzato negou ter dito ao cliente que não compareceria à audiência e por isso ligou para a esposa do cliente. Ela também atestou que tal informação não partiu dela. Por este motivo ele queria que o preso escutasse a versão da própria esposa dele ao telefone.

*(Foto advogado algemado meramente ilustrativa: reprodução Internet)

Por Welington Sabino
Fonte: www.agoramt.com.br

0/Comentários

Agradecemos pelo seu comentário!

Anterior Próxima
Aprenda Como Despachar com o Juiz AQUI!