Entidades da PF processarão advogado que fingiu ser delegado e humilhou idosa no Aeroporto de Brasília

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bit.ly/350sYrM | A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) informaram, nesta terça-feira (29/12), que vão ingressar com ação judicial contra Edson Pereira da Silva, após o advogado da Caixa Econômica Federal (CEF) ter sido filmado humilhando uma idosa, de 85 anos, no Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubistchek. O caso ocorreu na segunda-feira (28/12).

Na gravação, o agressor identifica-se como “delegado da [Polícia] Federal” e diz que a missionária, conhecida por levar o evangelho aos passageiros que transitam no terminal aeroportuário da capital federal, deveria ser levada “para o lixo ou para o hospício”.

Em nota divulgada à imprensa, as duas entidades manifestaram “indignação com o recente episódio” e comunicaram que, “diante da confirmação oficial, por parte da Polícia Federal, de que o cidadão que afrontou a senhora idosa não faz parte dos quadros da carreira, haverá, a partir de agora, a busca pela sua devida identificação, para que responda na Justiça pelos danos causados à imagem de todos os membros da categoria”.

Os insultos foram gravados pelo cantor e influenciador digital Higor Moraes, maranhense radicado em São Paulo (SP) que fazia uma rápida conexão na capital federal para chegar até Goiânia (GO). Nas imagens, o artista aparece elogiando a atuação da missionária, até que é interrompido pelo falso delegado, que passa a reclamar da pregação no local.

“Sou delegado da [Polícia] Federal e sei jogar no lixo ou no hospício”, provoca o advogado no vídeo.

Na mesma hora, Higor Moraes rebate a atitude do cidadão incomodado. “Não, se você é delegado, o problema é seu. Eu acho que você tem que ter respeito”, disse, inconformado.

“Mas para ficar ouvindo essa merda, não. Nós estamos aqui em um ambiente público”, continuou o falso delegado. “Se é público, ela tem o mesmo direito que você tem”, rebateu o cantor.

Em meio à discussão, dona Isaura Lima Lopes diz, no final da gravação, dar “graças a Deus que eu sou surda”.

Veja o vídeo:

Quem é Higor Moraes?

Com 27 anos, Higor Moraes é cantor sertanejo, mora atualmente em São Paulo, mas viveu em Goiás, antes de deixar a pequena cidade de Tasso Fragoso, município com pouco mais de 8 mil habitantes, situado no sul do Maranhão, onde nasceu. Devido à pandemia da Covid-19, precisou suspender a agenda de shows e passou a se dedicar às redes sociais.

Antes de chegar a Goiânia, Moraes fez uma pequena conexão em Brasília, onde desembarcou e conheceu a missionária Isaura, que já atua no local há mais de 25 anos.

“Fiquei apaixonado por ela, pela força dela. Que bonito levar esse trabalho sem receber nada em troca, apenas tocando a fé das pessoas”, afirmou, durante entrevista à coluna Janela Indiscreta, do Metrópoles.

Classificada muitas vezes como indigente ou até mesmo com distúrbios mentais pelos transeuntes, dona Isaura conquistou a atenção do rapaz, com quem conversou por mais de meia hora até a intervenção do falso delegado.

“Entre eu e ela, quem é louco sou eu, na minha percepção. Realmente, para você ter noção, nada é por acaso. Eu nunca peguei uma conexão na minha vida. Nunca peguei um voo de São Paulo para Goiânia e tive de parar em Brasília. Cheguei no aeroporto, fui almoçar, vi dona Isaura de longe, pregando. Naquela correria de aeroporto, comecei a iniciar uma conversa, mas ela não ouve. Fui orientado a conversar pausadamente para que ela fizesse uma leitura labial”, contou.

De acordo com o artista, a altura da pregação é justamente pelo problema auditivo da idosa. “Eu estava conversando com ela, e por estar falando alto, justamente pelo problema de audição dela, acabou chamando a atenção daquele homem, que foi o único a reclamar. Fiquei muito indignado com a reação dele porque, mesmo sendo delegado ou presidente da República, ninguém pode tratar alguém daquela forma, ainda mais uma senhora de mais de 80 anos”, declarou Higor.

OAB promete apurar

A reportagem tenta contato, sem sucesso, com Edson Pereira da Silva, por meio de todos os canais disponibilizados e também pelo número registrado no cadastro nacional de advogados. O espaço está aberto para manifestações futuras.

Também procurada, a Caixa Econômica Federal informou ter tomado conhecimento da matéria veiculada e esclareceu “que está apurando o ocorrido, a fim de avaliar a aplicação de eventuais medidas administrativas” contra o funcionário.

“A Caixa reforça seu compromisso com o respeito, a cordialidade e a inclusão, bem como repudia qualquer tipo de discriminação ou ato de violência, seja ela física ou verbal”, frisou.

Da mesma forma procurada, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) afirmou não compactuar com episódios como o ocorrido na última segunda-feira. “A OAB-DF não compactua com qualquer ato de discriminação e pune, por meio de seu Tribunal de Ética, quaisquer desvios éticos de seus inscritos. Com relação ao caso em tela, se instada, seguirá o protocolo”, afirmou Délio Lins e Silva Jr., presidente da Seccional do Distrito Federal da entidade.

Caio Barbieri, Mirelle Pinheiro
Fonte: www.metropoles.com

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