De acordo com a OAB/SP, em 2026, 77% dos advogados afirmam utilizar frequentemente a tecnologia em suas atividades, um salto relevante em relação aos 55% registrados no ano anterior.
O avanço vem acompanhado de ganhos concretos, com 91% dos profissionais relatando melhora na qualidade técnica do trabalho.
A rápida adoção da IA no Direito
A transformação digital no setor jurídico ganhou velocidade nos últimos anos, impulsionada pela popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa.
O Relatório sobre o Impacto da IA no Direito 2026, apresentado na sede da OAB São Paulo, mostra que a tecnologia já está incorporada ao dia a dia da maioria dos profissionais.
A pesquisa reuniu mais de 1.800 operadores do Direito em todo o país e indica um movimento consistente de adoção. O crescimento de 22 pontos percentuais no uso frequente da IA em apenas um ano revela uma mudança estrutural na forma como o trabalho jurídico é executado.
Produtividade e qualidade no centro da transformação
Os impactos da inteligência artificial vão além da automação de tarefas repetitivas. O levantamento mostra que 84% dos advogados que utilizam a tecnologia tiveram suas expectativas atendidas ou supera, além de relatarem ganho significativo de tempo.
Ao mesmo tempo, 91% afirmam que houve melhora na qualidade técnica das entregas, indicando que a IA tem sido utilizada como apoio estratégico na análise, organização e produção jurídica.
Para Leonardo Sica, presidente da OAB SP, o avanço exige compreensão e preparo. “Para que as ferramentas possam melhorar a vida profissional é preciso compreendê-las, obter dados e informações, proporcionar a capacitação e a oferta de produtos”, afirmou durante o evento.
Democratização do acesso e novos desafios
Um dos pontos destacados no relatório é o avanço na democratização do acesso às ferramentas tecnológicas. Parcerias institucionais têm permitido que advogados tenham contato com plataformas de IA mesmo sem grande capacidade de investimento.
“Esse é um trabalho incrível de democratização do acesso a ferramentas que hoje estão disponíveis para milhares de advogados que não teriam condições de acessar por suas próprias capacidades financeiras”, afirmou Sica.
Apesar disso, o estudo aponta um desafio importante. Apenas 34% das organizações jurídicas possuem orçamento dedicado à contratação de ferramentas ou capacitação em inteligência artificial, o que pode ampliar a diferença competitiva entre profissionais e escritórios.
O fim do medo e o início da adaptação
A percepção sobre a inteligência artificial também está mudando dentro da advocacia. O receio de substituição vem sendo gradualmente substituído por uma visão mais estratégica do papel da tecnologia.
“A inteligência artificial realmente deixou de ser algo que está à frente, algo do futuro; ela já faz parte do dia a dia de mais de 70% dos advogados, e esse número tende a crescer cada vez mais”, afirmou Luiz Paulo Pinho, cofundador do Jusbrasil.
Rafael Lara Martins, presidente da OAB-GO, reforça essa mudança de perspectiva. “A inteligência generativa é uma coisa boa, é uma coisa positiva, que pode se somar aos nossos esforços como ferramentas de trabalho para toda a advocacia”, disse. Segundo ele, o diferencial passa a ser a capacidade de supervisão qualificada. “O que nós precisamos é de supervisão dessa tecnologia para um advogado habilitado e preparado.”
Fonte: @exame

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