Segundo Dalazen, vídeo gravado momentos antes do ataque mostra um guia de outro grupo atingindo um dos tubarões com uma câmera GoPro, conduta que, na avaliação dela, pode ter estressado o animal e merece apuração.
A advogada, que atua principalmente nas áreas Trabalhista e Tributária, é filha do ex-presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, falecido em 2024. Ao abordar o caso sob a ótica jurídica, citou o decreto 6.514/08, que prevê multa de até R$ 10 mil para quem tocar, assediar ou perturbar animais silvestres.
“Então fica aqui a minha sustentação oral. Com respeito e amor ao debate, em defesa do meu cliente: o tubarão.”
Possível perturbação
Em vídeo publicado nas redes, Tayane relatou que a espécie não costuma atacar humanos e que, no momento do incidente, não havia qualquer fator que pudesse atrair o tubarão, como alimentos, joias ou acessórios brilhantes. Os ferimentos que sofreu, segundo ela, foram leves.
A advogada contou que entrou no mar a partir da praia, com snorkel, e nadou até o ponto do mergulho. Disse que nadava próxima aos tubarões com cautela, justamente para evitar contato, quando percebeu alvoroço no grupo. Momentos depois, ao mergulhar, sentiu a mordida. “Em nenhum momento toquei, alimentei ou provoquei qualquer animal, nem saltei de embarcação.”
Em vídeo gravado pouco antes do ataque, é possível ver que um guia de outro grupo teria atingido um tubarão com uma câmera. Ela disse não saber se a mordida pode ter sido influenciada pela ação, mas ressaltou que a conduta deve ser apurada.
Para a advogada, a situação contraria orientações geralmente recomendadas em encontros com tubarões. "O que orientam é o oposto: manter a calma, evitar movimentos bruscos e não agitar o ambiente."
Segundo ela, reações físicas só seriam indicadas em situações de risco real — o que, na avaliação dela, não se verificaria nas imagens. “Não era uma situação de ataque iminente, a ensejar uma pancada na cabeça do animal.”
Convidada a participar do programa Encontro, da Rede Globo, Tayane comentou que discordou da avaliação de um especialista apresentada durante a atração, segundo a qual a reação do guia seria comum quando o animal se aproxima a curta distância.
“Doutora tubarão”
A advogada contou de forma bem-humorada que passou a ser chamada de “doutora tubarão”. No Instagram, disse que o ano começou "de forma marcante", mas mostrou que a ferida está cicatrizando bem.
"Há situações que nos tornam mais resilientes e nos ensinam a ressignificar os percalços vividos."
Tayane destacou que, embora ferimentos causados por animais exijam cuidados específicos, está fora de risco e pretende retornar ao arquipélago.
Monitoramento
Após o incidente, o governo de Pernambuco anunciou a retomada de um projeto de monitoramento de tubarões que estava encerrado há 11 anos. A medida foi publicada no Diário Oficial no último dia 14, com previsão de início das atividades em maio.
O edital prevê investimento de R$ 1,052 milhão, com duração de dois anos, para financiar pesquisas acadêmicas voltadas ao acompanhamento dos padrões de deslocamento e da ecologia comportamental das espécies no litoral pernambucano. Segundo informações divulgadas pelo Executivo estadual, Pernambuco concentra cerca de 60% dos ataques de tubarão registrados no país.
Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, mas a iniciativa deve ampliar a atuação para toda a costa continental, com a proposta de mapear zonas de risco, atualizar dados científicos e aprimorar estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática. A expectativa é que os resultados também subsidiem medidas e orientações voltadas à preservação e ao manejo da fauna marinha.

Postar um comentário
Agradecemos pelo seu comentário!