Ao relembrar a invasão e depredação do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, Fachin retomou a expressão “Dia da Infâmia” — cunhada pela então presidente da Corte, ministra Rosa Weber, para definir os ataques.
Segundo ele, o episódio representou um atentado premeditado contra o patrimônio material e simbólico das instituições republicanas e uma negação direta do diálogo, da convivência pacífica e da própria democracia constitucional.
O ministro ressaltou a decisão tomada pela cúpula do Judiciário de manter o início do Ano Judiciário de 2023, apenas 24 dias após os ataques, como um gesto de firmeza institucional: “Seguiríamos em frente”, afirmou Fachin, ao lembrar que a retomada dos trabalhos só foi possível graças à atuação de servidores que, nos dias seguintes ao vandalismo, limparam, restauraram e protegeram os espaços do Tribunal.
No início do evento foi inaugurada a exposição “Mãos da Reconstrução”, que homenageia servidores responsáveis pela recuperação das áreas vandalizadas, e lançado o documentário “Democracia inabalada: mãos da reconstrução”, que reúne depoimentos desses trabalhadores. Para Fachin, ao defenderem fisicamente o prédio do STF, esses servidores também protegeram a Constituição: “Eles guardam, diariamente, a Lei Fundamental do nosso país”, declarou.
‘Que o tempo não apague os crimes’
O presidente do STF também destacou a necessidade de preservar a memória institucional para evitar que o tempo “caleje a sensibilidade” e apague não apenas o crime cometido, mas também a reação democrática que se seguiu. Nesse esforço, defendeu o diálogo com jornalistas e pesquisadores que acompanharam e analisaram os acontecimentos, citando rodas de conversa e mesas-redondas previstas na programação do evento.
Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Fachin elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes na condução dos inquéritos e ações penais relacionados ao 8 de janeiro. Segundo ele, a firmeza de Alexandre não decorreu de bravata, mas do dever constitucional do cargo, exercido com sacrifícios pessoais:
“Defender a Constituição é também defender aqueles que colocaram as instituições à frente”, disse o presidente da Corte.
Fachin reforçou que a tolerância não pode ser ilimitada quando confrontada com projetos que buscam destruir a própria democracia e disse que recordar os ataques é uma forma de resistência e de proteção do regime democrático.
Ao final, o ministro reafirmou o compromisso do STF com a segurança jurídica, a liberdade de imprensa e de expressão, o devido processo legal, a independência e a harmonia entre os Poderes, além do respeito à diversidade e à pluralidade.
Encerrando o pronunciamento, Fachin afirmou que o 8 de janeiro não deve ser lembrado apenas pelo vandalismo, mas também pela capacidade de reconstrução e pela resiliência institucional demonstrada após os ataques:
“O preço da democracia e da liberdade é uma eterna vigilância”, concluiu o magistrado.
Karla Gamba
Fonte: @consultor_juridico

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