"A autoridade policial deve atuar com imparcialidade, estrita legalidade e respeito aos direitos fundamentais do investigado. Exorbitar sua função, agir com abuso, coação ou prejulgamento compromete a lisura do inquérito. O delegado não é acusador, é garantidor da legalidade da fase investigatória. É isso!!!", escreveu o advogado, em post nos stories do Instagram.
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu o piloto preventivamente na sexta-feira (30). A vítima está internada em coma, em estado gravíssimo, após sofrer um traumatismo craniano severo ao bater a cabeça contra um carro durante as agressões.
Eder Fior disse ao Metrópoles que os fundamentais da prisão "são absurdos", que medidas cautelares seriam suficientes e que Pedro Arthur está sendo perseguido por sua classe social.
— Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos — afirmou. — Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas (...) de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é uma resposta social.
Pelas redes sociais, o advogado Eder Fior disse que o delegado, "calado, é um poeta", numa referência às declarações do investigador durante entrevista coletiva. Ele criticou uma suposta "espetacularização" do caso. Na ocasião, Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), afirmou que Pedro Arthur é um “sociopata sem condições de conviver em sociedade”.
Segundo o delegado, a prisão preventiva é necessária diante da gravidade do caso e do comportamento reiterado do investigado. Aguiar pontua que as investigações traçaram um modus operandi do piloto nas brigas.
— Frequentemente, ele se associa a amigos, possivelmente, para obter apoio durante os confrontos — afirmou o delegado.
A agressão ocorreu na noite de sexta-feira (23), após uma discussão iniciada por causa de um chiclete. Segundo a polícia, Pedro jogou o objeto em tom de brincadeira na direção de um amigo do adolescente, o que gerou uma troca de provocações e, em seguida, a briga. Durante o confronto, o jovem foi golpeado, caiu e bateu a cabeça com força na porta de um carro. Ele sofreu ainda uma parada cardíaca, sendo reanimado após cerca de 12 minutos.
Inicialmente, Pedro Arthur chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24.315. A soltura gerou revolta entre familiares da vítima. Poucas horas antes da nova prisão, o tio do adolescente, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury, relatou que a vida da família parou completamente desde a internação do jovem.
— Minha irmã, meu cunhado não sabem o que é dormir mais, não sabem o que é casa mais. Meu pai mora em Goiânia, também veio pra cá na semana passada. A família parou para essa situação — disse.
Com a repercussão do caso, a Polícia Civil passou a apurar outros episódios envolvendo Pedro Arthur. Ele já é investigado por quatro denúncias, sendo três agressões anteriores e uma tentativa de oferecer bebida alcoólica a uma adolescente menor de idade. Duas dessas ocorrências só foram registradas após a divulgação do caso mais recente.
A defesa do piloto classificou o episódio como um “desentendimento banal” e afirmou que não houve intenção de provocar o desfecho violento. Em nota, a família de Pedro declarou solidariedade à vítima e disse que ele manifestou arrependimento perante a autoridade policial.
Já a Fórmula Delta anunciou o desligamento do piloto do quadro da temporada 2026 e afirmou que repudia qualquer tipo de violência. A organização disse ainda que aguarda os desdobramentos judiciais para adotar outras medidas, se necessário.
Pedro Arthur responde por lesão corporal grave e tentativa de homicídio. A prisão preventiva não tem prazo determinado. Enquanto isso, o adolescente segue internado em coma induzido, sem previsão de alta, no Hospital Brasília de Águas Claras.
Por O Globo — Rio Janeiro
Fonte: @jornaloglobo

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