Ressaltando que não pode dar detalhes porque o caso corre em segredo de Justiça, Kale afirma que, apesar de "não haver qualquer prova" contra os jovens e de as desconfianças ocorrerem sobre bases frágeis, eles já estão condenados na prática, e sofrendo uma punição rigorosa e injusta.
"Esses meninos sofreram uma inquisição digital e o dano é irreparável. Ambos não podem sair de casa para nada. Nem eles nem os familiares", diz o advogado. "Na prática, já estão presos", segue.
Ele afirma ainda que "até mesmo os investigadores" estão sendo ameaçados e que vai pedir indenização a todos os que divulgaram as imagens dos adolescentes.
"Ainda que não sejam indiciados e apontados como culpados, ainda pesa o fato de estarem sendo massacrados pela mídia eletrônica", afirma.
Kale diz acreditar que o exame dos celulares e demais dispositivos eletrônicos apreendidos, e ainda as imagens de câmaras da Praia Brava, onde Orelha vivia e foi morto, vai ajudar a comprovar que os garotos são inocentes.
O animal, que tinha cerca de 10 anos e era cuidado pela comunidade, foi agredido a pauladas no começo do ano e encontrado ferido por moradores no dia 16 de janeiro. Ele chegou a ser levado para atendimento veterinário, mas, devido à gravidade das lesões, precisou passar por eutanásia.
O caso ganhou popularidade nacional ao ser compartilhado por influencers, ativistas e artistas como Ana Castela, Alexia Dechamps e Paula Burlamaqui, que pediam justiça para o animal e punição aos envolvidos.
Segundo a polícia, o ataque ocorreu no dia 4 de janeiro na Praia Brava, uma das mais populares da capital catarinense, no norte da ilha de Florianópolis (SC), com condomínios de alto padrão e praias procuradas por turistas e surfistas.
A investigação sobre o ataque ganhou novos contornos na semana passada, quando três adultos, dois pais e um tio de adolescentes suspeitos do ataque foram citados pela polícia como autores de coação de testemunha.
Mônica Bergamo
Fonte: @folhadespaulo

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