A corte divulgou nota na manhã desta terça (19) informando que a decisão autorizou dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício da função pública do policial federal supostamente envolvido na prática do crime. O comunicado não cita Viviane ou o contrato com o Master, mas a Folha apurou que a operação tem como objeto a divulgação dos dados do documento.
O texto afirma ainda que as medidas não atingem jornalistas ou a imprensa, de forma mais ampla, mas sim que pretendem preservar a investigação.
De acordo com pessoas a par do caso, a PF apurava a origem de vários vazamentos ocorridos desde o início da Operação Compliance Zero. O agente investigado agora teria, além de ele próprio passado informações para pessoas de fora da equipe, indicado novos contatos para que os dados fossem compartilhados.
A investigação sobre essa conduta foi formalizada no Supremo no início de março, a pedido da defesa de Vorcaro. As decisões de Mendonça expedidas nesse processo tratam inicialmente de andamentos da CPI do INSS no Congresso.
Em 4 de março, a Polícia Federal informou a corte a conclusão "da etapa de seleção e entrega do material pertinente à referida comissão parlamentar", em referência ao pedido do colegiado de acesso às informações da quebra de sigilo de Vorcaro.
No dia seguinte, a defesa do ex-banqueiro pediu ao Supremo a abertura de uma investigação para apurar a origem de vazamentos de informações sigilosas extraídas de celulares apreendidos no curso das investigações contra ele.
Segundo os advogados, o espelhamento dos dados dos aparelhos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março. O HD com o material, afirmam em nota desta sexta (6), foi imediatamente lacrado na presença de autoridade policial, advogados e de um tabelião para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, mensagens que teriam sido retiradas desses celulares passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa, inclusive a Folha, "mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material".
"O procedimento apuratório deve ter como hipótese investigativa a eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas", disse Mendonça, na decisão que determinou a abertura da investigação, em março.
A decisão que autorizou as diligências desta terça ainda não foi tornada pública.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o contrato do Master com o escritório de advocacia previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos —R$ 3,6 milhões por mês.
Documentos da Receita Federal indicam que os pagamentos declarados pelo Master ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados se estenderam por 2025 e chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos.
Dados enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado que investigou o crime organizado mostram que o banco declarou 11 pagamentos de R$ 3,6 milhões ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40,1 milhões.
Em 2025, os registros não aparecem segregados por meses, e há a declaração de pagamento de R$ 40,1 milhões naquele ano.
Quando o contrato entre o Banco Master e o Barci de Moraes veio a público, a banca, que tem entre seus sócios também dois filhos do casal, ficou em silêncio. A primeira manifestação ocorreu no começo de março.
Em nota, o escritório afirmou ter prestado serviços de consultoria e atuação jurídica ao Master. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, o Barci de Moraes diz que realizou 94 reuniões de trabalho, sendo 79 delas presenciais.
Para isso, afirma, mobilizou uma equipe de 15 advogados e contratou outros três escritórios especializados em consultoria que trabalharam sob sua coordenação.
Ana Pompeu
Fonte: @folhadespaulo

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