FaceApp: você está pagando com seus dados – Por Marcílio Guedes Drummond

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bit.ly/2JLWSod | O aplicativo FaceApp está fazendo grande sucesso por todo o mundo. Os usuários podem até não perceber, mas estão pagando (caro) por ele.

O que ele faz é prever como seriamos mais velhos, mais novos, ou até mesmo com outro corte de cabelo, por exemplo, tudo por meio de combinações de algorítimos de inteligência artificial.

Aos olhos da maioria das pessoas, é apenas um "app inofensivo" e essas mesmas pessoas sequer se perguntam porque alguém faria "gratuitamente" algo tão interessante e recheado de inteligência artificial.

Será que essas mesmas pessoas mudariam de opinião se soubessem que o app foi criado por uma empresa russa? É isso mesmo, o FaceApp foi criado pelo organização russa Wireless Lab.

Porém, a grande questão não está na nacionalidade da empresa criadora do app. O que acontece de fato é que essa empresa não é uma organização benevolente, criadora de uma "diversão gratuita". Os usuários do FaceApp estão pagando à Wireless Lab: com seus próprios dados (presentes e, potencialmente, futuros).

Veja, de uma vez por todas você precisa entender que estamos no mundo data-driven (guiado por dados), em função da 4ª Revolução Industrial (Cibernética), na qual os dados possuem enorme valor e utilidade, sobretudo quando podem ser organizados e classificados.

Portanto, lembre-se sempre: dados são ativos digitais e como tal, podem valor muito dinheiro.

Então, a Wireless Lab, criadora da app, está recolhendo informações sobre os utilizadores e construindo uma enorme e valiosa base de dados, tudo isso com a autorização dos usuários.

Por aqui você pode ler na íntegra a política de privacidade. Os usuários que baixam o FaceApp concordam com todos os termos descritos aqui.

Destaco que os russos da Wireless Lab podem:

  • Coletar todo o conteúdo do usuário (por exemplo, fotos e outros materiais) publicados no app.
  • Monitorar quais páginas da Web foram visitadas pelo usuário.
  • Coletar o endereço IP, tipo de navegador, páginas de referência / saída e URLs, número de cliques e como você interage com links no Serviço, nomes de domínio, páginas de destino, páginas visualizadas e outras informações desse tipo.
  • Acessar, coletar, monitorar, armazenar em seu dispositivo e / ou armazenar remotamente um ou mais "identificadores de dispositivo".

Veja que, por meio dessa enorme quantidade de dados captados e armazenados, a Wireless Lab pode também treinar cada vez mais os seus algorítimos de inteligência artificial, como já fez (e continua fazendo) o Google.

Repare ainda, na Política de Privacidade do FaceApp, como são amplas as possibilidades de utilização dos dados do usuário:

  • Fornecer conteúdo e informações personalizadas para você e outras pessoas, que podem incluir anúncios on-line ou outras formas de marketing
  • Fornecer, melhorar, testar e monitorar a eficácia do nosso serviço
  • Desenvolver e testar novos produtos e recursos
  • Monitorar métricas como número total de visitantes, tráfego e padrões demográficos
  • Diagnosticar ou corrigir problemas de tecnologia
  • Atualizar automaticamente o aplicativo FaceApp no seu dispositivo

Chamo a atenção ainda que, em meio ao debate ético, por todo o mundo, sobre a utilização de reconhecimento facial dos cidadãos por governos e empresas, sobretudo quanto à transparência de como são usadas as informações coletadas, os dados captados pelo FaceApp possuem potencialmente um valor financeiro ainda mais elevado.

Isso porque podem contribuir para um maior percentual de acerto nas analises relacionadas ao reconhecimento facial, seja na ampliação dos bancos de dados - tanto ampliando o número de pessoas, quanto o número de fotos de uma mesma pessoa -, seja no desenvolvimento e treinamento de algorítimos de inteligência artificial de reconhecimento facial.

Talvez você não se importe com o uso dos seus dados e isso é um direito seu.

Porém, a intenção deste texto é conscientizar às pessoas que nem mesmo no mundo digital existe "almoço grátis", ou seja, no mundo dos dados, se algo é "gratuito", então o produto é o próprio usuário.

Por Marcílio Guedes Drummond

Divulgado inicialmente no LinkedIn

Marcílio Guedes Drummond
Advogado, Palestrante, Professor, Produtor de conteúdo jurídico.
Sócio - Direito das Startups (Marcelo Tostes Advogados); Conselho Diretivo do Guedes Drummond Sociedade de Advogados; Legal Growth Hacking; Mentor de Startups; Graduado Direito UFMG; Especialista em Direito Público -Universidade de Coimbra (Portugal); Mestrando em Direito das Relações Internacionais - Universidad de la Empresa (Uruguai), estudando o ecossistema de Startups latinoamericano; CEO e Professor do curso "Advogado de Startups"; Membro da Comissão de Direito para Startups da OAB/MG; Membro da AB2l – Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs; Co-Fouder Legal Hackers Sete Lagoas/MG; Head Jurídico Santa Helena Valley; Palestrante, autor e professor sobre temas do direito, tecnologia, empreendedorismo e comportamento.

Fonte: marciliodrummond.jusbrasil.com.br

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