Imagens sugerem inocência de condenado, mas Justiça o mantém preso, em SP

Em 26 de dezembro de 2018, por volta das 14h50, uma aposentada de 65 anos teve o carro roubado na Zona Leste de São Paulo. Em menos de duas horas, a Polícia Militar de São Paulo apresentou dois suspeitos pelo assalto: Gabriel Rubio de Oliveira, 19 anos, e Jhonatan Vinícius da Silva Nobre, 20. Posteriormente, mais especificamente em fevereiro deste ano, ambos foram condenados a mais de cinco anos de prisão.

Entretanto, imagens de câmeras de segurança obtidas pela família e veiculadas pelo portal UOL sugerem que Gabriel estava a mais de 2,5km de distância do local do crime na hora do assalto. Com base nelas, a defesa do rapaz entrou com um recurso, que acabou indeferido na quinta-feira (15/8). A decisão pela manutenção da prisão foi dos desembargadores Hermann Herschander, Walter da Silva e Marco Antonio de Lorenzi, da 14ª Câmara de Direito Criminal.

As imagens veiculadas pelo site mostram que Gabriel estava dentro de um salão de beleza duas horas antes do crime e, depois, em um supermercado, usando a mesma roupa e acompanhado da namorada, na hora do assalto. O jovem, contudo, foi apontado pela vítima como um dos assaltantes. Já os familiares de Jhonatan, também reconhecido, apontam que ele estava soltando pipa no momento da ação criminosa.

Opiniões divergentes

O procurador Maurício Antonio Ribeiro Lopes disse ao UOL que as imagens não mostram provas suficientes para a liberdade dos jovens, e aponta ainda que o testemunho da vítima também é uma prova. "As imagens juntadas pela defesa não mostram absolutamente nada. Indício é um meio de prova. E temos a vítima que os reconhece em flagrante e em juízo. Não tenho razões para supor que a vítima fez isso com má-fé. Ou as fotos não são do mesmo dia ou da mesma hora em que foram presos”.

O padrasto de Gabriel, responsável por reunir as imagens que mostram o jovem no salão e no supermercado, diz que o enteado é inocente. "Eu estava deitado na cama quando ele chegou do supermercado. Dez minutos depois de ir para a casa da sogra, me veio a namorada correndo chorando (por causa da prisão dele)", disse ao site. A mãe de Gabriel também defendeu a inocência do jovem: "Ele é trabalhador, não tem vício nenhum, sempre trabalhou, nunca fez nada de errado. Está sendo culpado por uma coisa que não fez”.

Os próximos passos da defesa é propor uma revisão criminal no tribunal. Algo que ainda não tem data para ocorrer.

O Correio, por telefone e e-mail, tentou contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para obter mais detalhes sobre as circunstâncias da prisão. Mas, segundo o órgão, como o caso já foi julgado, as informações estavam restritas ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O jornal também entrou em contato o tribunal para obter mais informações sobre a condenação. Entretanto, até o momento da divulgação deste texto, não obteve resposta.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

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