Filha de cabeleireira e irmã de garçom, passou em mais de 10 Concursos e agora é juíza!

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bit.ly/2Xl71Ra | Tenho muito orgulho de afirmar que não devo favor a político nenhum ou a qualquer pessoa que tenha me favorecido com atalhos. Isso mesmo. Cheguei onde cheguei da forma que você também pode chegar, por méritos próprios!

Aliás, tenho sim uma dívida: com o fiel cumprimento das leis e Constituição. Devo a efetividade dos direitos aos jurisdicionados.

Venho de família simples, assim como a grande maioria de nossa gente.

Minha mãe é cabeleireira e a única coisa que eu tinha garantida era um cabelo bonito.

Meu irmão é garçom e tenho muito orgulho.

Após me formar, passei no primeiro Exame de Ordem que realizei e comecei assim a advogar.

Acordava às cinco da manhã e dormia apenas cinco horas por noite na busca do meu sonho.

Certa vez, havia acabado de ser reprovada, queria chorar e não pude pois haveria uma nova prova em três dias. Enxuguei algumas lágrimas ali, em cima do livro mesmo. Naquele momento, embora não soubesse, eu havia superado o último obstáculo ao meu sonho.

Minha determinação se tornou maior que minha frustração e também que meu próprio sonho. E foi nessa prova de sentença que passei (acreditem!) com média 9!

Não importa se você não tem recursos financeiros ou sobrenome. Pesar? Pesa! Mas o essencial mesmo será a sua determinação!

Já vi filho de juiz chorando em prova oral e sendo reprovado. Seu pai lhe dava tudo, mas não podia dar ao filho a própria determinação. Aliás, nada individualiza tanto um ser humano como a determinação.

Eu, em minha condição, já ouvi (inclusive!) da minha mãe um "você não será juíza!", quem dirá o que já não falaram as más línguas. Inclusive dividindo hotel, já ouvi falarem de mim enquanto dormia. Não levantei para responder e ainda reservei lugar na mesa para o café da manhã dessas pessoas.

Minha mãe, com uma história de vida sofrida e que sequer completou o ensino fundamental, uma vez veio me dizer se sentindo humilhada que, ao anotar a giz seus serviços e preços do salão, alguns meninos viram a placa e riram por seus erros de português. Sequer imaginavam que sua filha pudesse ir tão longe.

Mas eu não desistia de tentar! Não desistia de prometer a minha querida mãe “Mãe, eu serei juíza!”.

Passei a não ouvir certas pessoas e não falar sobre meus planos. Num determinado dia, minha mãe atendeu ao telefone e era eu dizendo cheia de orgulho "Está sentada? Agora sou juíza!".

Algum tempo depois eu realizei seu grande sonho de levá-la para assistir minha audiência com a vestimenta oficial do juiz, minha sonhada toga!

Antes de iniciar, ela veio correndo me perguntar se tinha algum problema estar usando sandálias, ao que eu lhe respondi: “Mãe, não tem qualquer problema. E se tivesse, eu sou a juíza”.

E com a minha determinação eu tomei a caneta do destino e escrevi minha própria história, assim como uma nova história para a minha família!

Elisa Tavares - Juíza do Trabalho do TRT 2.

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