“Meu filho não tem nada a ver com isso”, disse o síndico em trecho exibido pela TV Anhanguera.
O g1 entrou em contato com a defesa do síndico, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Em entrevista à TV Anhanguera, o advogado Felipe Borges de Alencar disse que a defesa tem postura colaborativa e emitirá uma nota quando tiver acesso aos autos do processo. A defesa de Maicon não foi localizada.
A declaração do investigado foi feita nesta quarta-feira (28), quando chegava à central de delegacias especializadas, em Goiânia. Cléber é suspeito do crime de homicídio, enquanto a polícia investiga se Maicon auxiliou o pai a ocultar provas.
Daiane estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Ela e o síndico tinham um histórico de brigas e processos na Justiça.
Apesar de Cléber dizer que o filho é inocente, a polícia afirma que Maicon deu um celular novo ao pai, o que poderia ser uma forma de tentar ocultar provas em uma possível apreensão do telefone.
“A prisão foi solicitada, em primeiro momento, para que a gente pudesse entender se essa participação já acontecia desde a prática desse homicídio ou se só aconteceu depois que o crime ocorreu”, explicou André em entrevista à TV Anhanguera.
Prisões
Pai e filho foram presos na madrugada desta quarta-feira, no prédio onde moravam. De acordo com a polícia, as prisões temporárias têm duração de 30 dias, com possibilidade de prorrogação pela mesma quantidade de tempo.
Cléber é investigado por homicídio e ocultação de cadáver. Após a prisão, o síndico confessou o crime e levou a polícia até o local onde deixou o corpo de Daiane, a cerca de 15 km de Caldas Novas, em uma região de mata.
Corpo de corretora foi encontrado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás — Foto: Arte/g1
Além de Cléber e Maicon, o porteiro do prédio também foi levado para a delegacia coercitivamente para prestar esclarecimentos, mas não é considerado suspeito. O nome dele não foi divulgado.
Motivação
Durante os mais de 40 dias em que a corretora ficou desaparecida, vieram à tona diversos conflitos entre Daiane e Cléber. Além das brigas no condomínio, os desentendimentos entre os dois chegaram a virar processos na Justiça.
Ao todo, são 12 os processos que envolvem Cléber e Daiane, segundo a família. Sobre a dinâmica e o que o levou a praticar o crime, o síndico ficou em silêncio, mas a polícia acredita que tenha a ver com conflitos comerciais e administração dos seis apartamentos da família.
“O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima] passaram a administração para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, contou o delegado.
Câmeras de segurança
As imagens que circulam na internet são das câmeras do elevador do prédio, que mostram Daiane descendo até a recepção e depois ao subsolo, quando desaparece. De acordo com a polícia, Cléber usou escadas para não ser filmado.
No início das investigações, a família não tinha informações sobre imagens no subsolo, fora do elevador, mas a polícia apreendeu o gravador das filmagens para fazer uma perícia e identificar se houve adulteração.
Daiane Alves Souza, de 43 anos, está desaparecida há quase um mês em Caldas Novas — Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes
“O DVR foi apreendido para a gente certificar se não houve nenhum tipo de adulteração e, se houve, qual foi e em que momento foi, se existiam imagens que poderiam estar perdidas e que não tenham sido passadas para a Polícia Civil”, contou o delegado.
Além do gravador das câmeras de segurança, a Polícia Civil recolheu também os objetos pessoais que estavam no apartamento da corretora.
Causa da morte
O corpo de Daiane foi encontrado em estado avançado de decomposição. Nesta quarta-feira, o Instituto Médico Legal (IML) recolheu o corpo e o trouxe para Goiânia, onde a perícia será feita.
Síndico confessou ter matado a corretora Daiane Alves Souza em Caldas Novas, Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Georgiana dos Passos
A Polícia Científica informou que o laudo da necropsia, que identifica a causa da morte, deve ficar pronto em 10 dias. Segundo a perita criminal Núbia Miranda, o corpo de Daiane será examinado por tomografia computadorizada, além de exame da arcada dentária, exame antropológico e o possível DNA.
Por Letícia Fiuza, g1 Goiás
Fonte: @portalg1

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