Ao longo da última semana, integrantes do colegiado apresentaram solicitações para que a CPMI tenha acesso a detalhes das movimentações financeiras de Fabio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que promete disputar a Presidência.
O deputado Evair de Melo (PP-ES) apresentou requerimento para quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, enquanto Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) buscam informações sobre o senador carioca e o escritório dele, Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.
Os pedidos dos deputados, que ainda precisam ser analisados, ficarão de fora da primeira reunião do ano, mas indicam o tom dos próximos meses, conforme avalia o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Ao R7, o parlamentar considera que o debate eleitoral de 2026 deve influenciar os ânimos dos membros do colegiado.
“Pelos requerimentos que eu recebi, essa questão de direita e esquerda, de narrativa, vai ganhar ainda mais força dentro da CPMI. Então, o meu desafio vai ser maior ainda, em conseguir trazer de volta as investigações para os dados, para as informações, para que a gente termine o relatório”, afirmou Viana.
Segundo ele, a estratégia, agora, é priorizar os depoimentos e requerimentos que vão ajudar a construir o relatório, previsto para ser apresentado em 23 de março.
“Primeiro, eu vou dar prioridade àqueles [pedidos] que são fundamentais para o relatório. O relator tem uma série de requerimentos que estão todos em pauta, de quebra de sigilo, informações adicionais que a gente precisa. Essas questões que envolvem mais polêmicas, eu vou deixar mais para a frente”, explicou.
Apesar dos pedidos para estender os trabalhos do grupo, ainda não há uma definição sobre isso. O colegiado aguarda uma decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que pode dar mais 60 dias para as apurações.
O primeiro dia da CPMI
Prevista para começar às 9h desta quinta, a primeira reunião da comissão mista em 2026 será reservada ao depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
Segundo Viana, Waller deve explicar sobre os contratos de crédito consignado sob investigação e as medidas adotadas pelo órgão durante a sua gestão.
O atual presidente do instituto foi convocado após o adiamento da oitiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A defesa do banqueiro, que foi convocado pela CPMI, pediu que seu depoimento fosse alterado para outra data. Após entrar em um acordo, a comissão remarcou a ida de Vorcaro para 26 de fevereiro.
Há, inclusive, expectativa de perguntas sobre o Master para o presidente do INSS. Antes de ouvir Waller, porém, a CPMI votará uma série de requerimentos.
Estão na pauta mais de 70 pedidos, incluindo os de quebra de sigilo fiscal relacionados ao Master.
Segundo as investigações, ao menos 250 mil contratos de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS vinculados ao banco apresentam indícios de irregularidades.
Entre as propostas em análise, também há requerimentos que pedem a prisão preventiva do ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, e a retenção de passaportes para evitar que suspeitos saiam do país. Mas Viana reforçou que a primeira reunião do ano será estratégica.
“Eu estou quebrando sigilos só daqueles que já foram identificados. Empresas, nomes, pessoas que já têm depósito em conta, que têm uma série de coisas [suspeitas]”, comentou.
Lis Cappi e Yumi Kuwano
Fonte: @portalr7

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