A ministra também disse que o processo tem lhe feito mal e destacou a violência de gênero que, segundo ela, permeia o assassinato da ex-vereadora. “Matar uma de nós é muito mais fácil”, afirmou durante o voto. Cármen é a única mulher do STF e formou maioria ao votar pela condenação dos acusados.
O que disse a ministra Cármen Lúcia no julgamento do caso Marielle
A ministra Cármen Lúcia afirmou que mulheres em posição de destaque são vistas como referência, mas não como sujeitos de direito.
“Sabe aquela que está ao lado daquela mulher morena?’, ‘Sabe aquela ao lado da de cabelo branco?’ Nós somos referência. Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil”, frisou.
“Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. É muito mais fácil. Continua sendo”, afirmou, ressaltando que matá-la seria mais fácil do que tirar a vida dos demais ministros homens presentes na sessão. As informações são do R7.
A ministra destacou, ainda, como a análise do caso a afetou diretamente: “Este processo tem me feito muito mal psicologicamente, muito mal espiritualmente e até fisicamente nessas últimas semanas”.
“Me pergunto quantas Marielles o Brasil permitirá serem assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tanta indignidade?”, questionou, e completou: “Quantos Andersons ainda vamos ver chorar, quantas Luyaras e quantos Arthurs vão ficar órfãos para que o Brasil resolva que isso não pode continuar?”.
Irmãos Brazão são condenados a 76 anos de prisão no caso Marielle
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal definiu, nesta quarta-feira, as penas dos cinco réus acusados no caso Marielle Franco. Eles foram condenados por planejar o assassinato da vereadora, de seu motorista Anderson Gomes e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, foi sentenciado a 76 anos e três meses de reclusão em regime inicial fechado, além de 200 dias-multa, calculados com base em dois salários mínimos da época dos fatos por dia-multa. Ele foi responsabilizado por organização criminosa armada, dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio qualificado.
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, recebeu pena de 76 anos e três meses de reclusão em regime inicial fechado e 200 dias-multa nos mesmos parâmetros. Ele foi responsabilizado por organização criminosa armada, dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio qualificado.
- Ronald Paulo Alves, ex-policial militar, foi condenado a 56 anos de reclusão em regime inicial fechado por dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio qualificado.
- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor do TCE, foi condenado a nove anos de reclusão em regime inicial fechado e 200 dias-multa, também calculados com base no salário mínimo da época. Ele foi responsabilizado por integrar organização criminosa armada.
- Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado a 18 anos de reclusão em regime inicial fechado e 360 dias-multa, cada um equivalente a um salário mínimo vigente à época dos fatos. A imputação de homicídio foi desclassificada no caso dele.
Yasmin Mior
Fonte: @ndmais

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