Escolha de Moraes por Rosa Weber violou princípio do juiz natural?

Feed mikle

Escolha de Moraes por Rosa Weber violou princípio do juiz natural?

escolha moraes rosa weber violou principio juiz natural
Via @o_antagonistaRosa Weber, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente da Corte durante os atos de 8 de janeiro de 2023, escolheu a dedo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para relatar o processo sobre as invasões às sedes dos três Poderes, em Brasília, conforme registrou a colunista Miriam Leitão nesta quinta-feira, 4, na Globonews.

“O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, falou assim: ‘quem é que vai cuidar desse processo, dessas investigações?’, […] e Rosa Weber falou assim: ‘o Alexandre toca o processo. O Alexandre é o relator’. [Lira] insistiu mais uma vez, disse ‘olha, pode haver reação na política se for o Alexandre de Moraes, se não houver um sorteio entre os ministros’, e ela [Rosa Weber] falou ‘o Alexandre vai ser o relator’. [Moraes] mostrou que era a pessoa certa na hora certa, e muita gente tomou a decisão certa na hora certa para vencer o golpe”, afirmou a colunista.

O relato da reunião realizada em 9 de janeiro de 2023 gerou uma série de críticas por parte de políticos e especialistas em direito que acusaram a ex-presidente do STF de violar o princípio do juiz natural e a livre distribuição dos processos.

Para Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal, a admissão da violação do princípio do juiz natural é “inacreditável”.

“Inacreditável essa admissão aberta, despreocupada e sem constrangimentos de que Alexandre de Moraes foi escolhido a dedo para ser relator do 8 de janeiro, desprezando o princípio constitucional do juiz natural e a livre distribuição dos processos.

Os garantistas seguem calados.

Mais: quando até Arthur Lira se preocupa com a designação a dedo do relator, e diz que é preciso haver respeito à livre distribuição dentro do Supremo porque a política não vai reagir bem, é porque a coisa tá braba.”

Horacio Neiva, doutor e mestre em filosofia e teoria geral do Direito pela USP, também afirmou que a escolha configura a violação da regra de distribuição.

“Eu não entendi: era para ser uma defesa da decisão da Ministra? Não sei se a jornalista percebeu, mas é uma admissão de que se violou regra de distribuição e, portanto, princípio do juiz natural.

Pode ser que a jornalista tenha se enganado e as coisas não aconteceram bem assim. Mas o curioso é: mesmo que ela esteja enganada, há na sua fala um elogio e uma defesa de se escolher relator e direcionar um processo para ele.”

Enio Viterbo, pesquisador da Universidade de Coimbra, disse que a jornalista narrou como o princípio do juiz natural foi violado por Rosa Weber.

“A jornalista parece que não tem noção de que está literalmente narrando como o juiz natural das investigações do 8/1 foi violado.

Dá a entender que Lira estava errado ao pedir o sorteio entre os ministros, mas ele estava justamente pedindo o que a legislação determina.”

Princípio do juiz natural

O princípio do juiz natural é uma garantia de limitação dos poderes do Estado, que não pode instituir juízo ou tribunal de exceção para julgar determinadas matérias nem criar juízo ou tribunal para processar e julgar um caso específico.

Como consequência, não se admite a escolha específica nem a exclusão de um magistrado de determinado caso.

A Constituição de 1988 determina que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…) XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção”, e “LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”.

Fonte: @o_antagonista

0/Comentários

Agradecemos pelo seu comentário!

Anterior Próxima