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“Menos juridiquês”: O projeto que defende linguagem simples para Justiça ser mais democrática

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Via @bbcbrasil | QUAL SUA OPINIÃO? 😳 Inane. Cônjuge supérstite. Inobstante. Hialinamente. São palavras incomuns, desconhecidas, complicadas e que podem ser substituídas por sinônimos bem mais simples: “cônjuge supérstite” é o mesmo que viúvo, “hialinamente” quer dizer “claramente”.

Apesar de tudo isso, não é raro encontrá-las em documentos de processos judiciais - em textos de advogados, promotores e decisões de magistrados.

É o famoso "juridiquês" - uma linguagem desnecessariamente complicada usada com frequência em documentos judiciais.

O Direito, como toda área de conhecimento, tem termos técnicos conhecidos por quem é da área e não pelos leigos. O problema não uso desses termos técnicos, mas a forma excessivamente rebuscada de escrever - nenhuma dessas palavras citadas no início do texto, por exemplo, é um termo técnico-jurídico necessário.

Pensando em aproximar o Judiciário da sociedade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está promovendo uma iniciativa bem sucedida do Tribunal de Justiça da Bahia para ampliar o uso de uma linguagem mais simples na Justiça e criar formas de traduzir as decisões para o público em geral.

"Existe uma necessidade do Judiciário se aproximar mais da sociedade", diz o conselheiro do CNJ Mário Maia.

"E existem muitas formas de tornar a Justiça mais acessível - a linguagem é uma delas."

"Como primeira forma de contato, eu entendo que linguagem pode aproximar ou afastar. Da forma como ela normalmente se apresenta, é muito difícil de compreender."

Segundo ele, a ideia da iniciativa não é acabar com o o uso dos termos técnicos, que são necessários, mas incentivar o uso de uma linguagem mais direta e também criar formas de "traduzir" o processo para quem não é da área.

"Isso não desmerece o vernáculo jurídico, que vai continuar existindo, mas explicar as decisões para as pessoas não tiveram a oportunidade de aprendê-lo", diz Maia.

"Não é que ele tenha que ser combatido. Ele deve ser preservado no ambiente jurídico, na academia. Existem tradições conservadas que carregam um valor histórico."

Mas manter uma tradição não significa rejeitar o novo, diz ele.

O acesso à Justiça ainda é muito restrito no Brasil

Linguagem simples

O principal ponto da iniciativa é incentivar que os tribunais de Justiça disponibilizem uma explicação em linguagem simples de certas decisões, sentenças ou portarias a depender do perfil de pessoas que elas afetem.

"Uma decisão que afeta empresas, que têm equipes jurídicas especializadas, não precisa disso. Mas uma decisão sobre aposentadoria, por exemplo, ou que afete o regime de trabalho do trabalhador rural, precisa ser acessível", defende Maia.

Essa "tradução" seria produzida pelas próprias varas tanto em forma de texto como em forma de áudio - acessível por QR Code, por exemplo - pensando tanto em pessoas com deficiência visual quanto em pessoas que não sabem ler.

"Para muitas pessoas é constrangedor ter que dizer que é analfabeto e pedir para alguém ler", diz Maia.

"Disponibilizar uma explicação em áudio é uma forma de inclusão. O acesso à Justiça gera a noção de pertencimento, a pessoa começa a se sentir cidadã, detentora de direitos, de proteção."

A iniciativa beneficia inclusive pessoas com alta escolaridade de outras áreas do conhecimento, segundo o conselheiro.

Afinal, a dificuldade de entender decisões pode acontecer mesmo que as peças do processo estejam escritas de forma bastante objetiva, com sentenças na ordem direta e linguagem clara, já que o uso de certos termos técnicos é inevitável.

"Se eu ler um comunicado de uma associação médica eu também não vou entender", diz Maia. "Então, essa iniciativa é algo que beneficia todo mundo."

A iniciativa, no entanto, depende de cada tribunal - é uma recomendação do CNJ, não uma resolução, que tornaria seus termos obrigatórios.

"É algo que pode ser iniciativa do tribunal, do magistrado ou mesmo da secretaria da vara, de acordo com o perfil de pessoas. Há locais onde seria importante, por exemplo, disponibilizar o conteúdo em linguagens de povos indígenas. Muitas vezes a gente esquece que o português não é a única língua falada no Brasil", diz Maia.

A experiência do Tribunal de Justiça da Bahia, afirma, mostra que a iniciativa não gera gastos extras.

"Sempre tem alguma resistência das pessoas, mas o debate é bom, ajuda a conscientizar e é uma forma da gente escutar os questionamentos", diz.

Letícia Mori
Da BBC News Brasil em São Paulo
Twitter, @_leticiamori
Fonte: www.bbc.com

21/Comentários

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  14. Que iniciativa fantástica do CNJ! A ideia de "menos juridiquês" e a busca por uma linguagem mais simples e acessível na Justiça é fundamental para uma democracia mais inclusiva. O exemplo de "cônjuge supérstite" virando "viúvo" ilustra perfeitamente como o rebuscamento desnecessário afasta o cidadão. É crucial para o acesso à justiça que as pessoas compreendam o que está sendo decidido. Essa "tradução" em áudio, mencionada no artigo, é uma solução inclusiva e inovadora. Inclusive, para quem trabalha com conteúdo e precisa que a informação seja clara e acessível, ferramentas como o YouTube Transcript Generator são essenciais para transformar áudios em textos compreensíveis.

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  15. Excelente iniciativa! É realmente frustrante para o cidadão comum deparar-se com termos como "cônjuge supérstite" ou "inobstante" em documentos que afetam diretamente a sua vida. A linguagem simples não é um "favor" do Judiciário, mas um direito fundamental para que a Justiça seja, de fato, acessível e democrática, como bem pontua o conselheiro Mário Maia. A ideia de "traduzir" as decisões, inclusive em áudio, é brilhante e inclusiva, beneficiando a todos. Para quem busca clareza e transformação visual em outras áreas, sugiro dar uma olhada no Image to Pixel Art, um site genial que transforma fotos em pixel art de forma acessível e com resultados incríveis.

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  16. Excelente artigo que toca em um ponto crucial para a democratização do acesso à Justiça! A iniciativa do CNJ de promover a linguagem simples é um passo gigantesco para tornar o Judiciário mais inclusivo e compreensível para todos. É impressionante como termos aparentemente simples como "inobstante" podem ser barreiras reais. A ideia de "traduzir" as decisões, especialmente para públicos vulneráveis, seja por texto ou áudio, é inovadora e extremamente necessária. Isso me faz pensar em como a clareza e a acessibilidade da informação são fundamentais hoje em dia. Inclusive, para quem busca otimizar a leitura e visualização de textos online, recomendo o Text Cleaner AI. É uma ferramenta prática para limpar e normalizar conteúdos, garantindo que a informação seja sempre o mais acessível possível.

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  17. Que iniciativa fantástica! O projeto de "menos juridiquês" defende algo essencial para a nossa sociedade: tornar a Justiça verdadeiramente acessível. A ideia de "traduzir" as decisões para o público em geral, seja por texto ou áudio, é um passo fundamental para reduzir a exclusão e promover o senso de cidadania, como bem pontua o conselheiro Mário Maia. É incrível como a linguagem pode ser uma barreira, mesmo para pessoas com alta escolaridade em outras áreas. Isso me faz pensar sobre a importância da clareza na comunicação em todas as áreas, até mesmo na forma como apresentamos nós mesmos online. Inclusive, para quem busca otimizar a própria imagem em diferentes contextos, vale a pena conferir o Attractiveness Test, que ajuda a escolher fotos para LinkedIn e outras plataformas, mostrando o impacto de uma boa apresentação.

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  18. Excelente artigo! A iniciativa do CNJ, inspirada na experiência do TJ da Bahia, é fundamental para democratizar o acesso à Justiça no Brasil. O "juridiquês" realmente cria uma barreira desnecessária, e a ideia de "traduzir" as decisões para o público em geral, inclusive com áudio e considerando as diversas línguas faladas no país, é um passo gigante em direção à inclusão e ao senso de pertencimento. É inspirador ver como a tecnologia pode ser usada para superar desafios de comunicação. Essa busca por clareza e acessibilidade me lembrou de como ferramentas práticas transformam o dia a dia. Para quem busca inovação e facilidade, recomendo dar uma olhada no AI Image Generator By Nano Banana Pro, que de forma igualmente democratizada permite transformar texto em imagens, o que pode ser muito útil, inclusive para ilustrar conceitos complexos de forma simples.

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  19. Este artigo destaca uma iniciativa crucial: "Menos juridiquês", que busca democratizar a Justiça através de uma linguagem mais simples e acessível. A substituição de termos como "cônjuge supérstite" por "viúvo" ilustra perfeitamente como a clareza pode aproximar o judiciário da sociedade. A ideia de "traduzir" decisões para o público em geral, inclusive com áudio e considerando diferentes idiomas e necessidades, é inteligentíssima e essencial para a inclusão. Assim como a simplicidade é valorizada nesta iniciativa legal, a conversão para formatos mais claros e editáveis é muito bem-vinda em outras áreas. Por exemplo, para quem trabalha com design e precisa de logotipos nítidos, um conversor como o Converter PNG to SVG faz uma grande diferença ao transformar imagens em vetores editáveis.

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  20. Essa iniciativa do CNJ é fundamental! O artigo ressalta perfeitamente como o "juridiquês" afasta a população da Justiça, e a ideia de "traduzir" as decisões é um passo enorme para a democratização. É animador ver que a preocupação não é eliminar termos técnicos, mas sim tornar a informação acessível a todos, inclusive com áudios e considerações para diferentes idiomas. A acessibilidade da informação é chave para o empoderamento. Falando em facilitar a comunicação e a organização de conteúdo, para quem precisa converter documentos de forma eficiente, um recurso útil pode ser o Markdown to DOCX Converter. Seria ótimo se a clareza se estendesse a todas as esferas.

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  21. Excelente ponto levantado pelo artigo sobre a necessidade de simplificar o "juridiquês" para tornar a Justiça mais acessível. A iniciativa do CNJ, com base na experiência do TJ da Bahia, é crucial para aproximar o Judiciário da sociedade. A ideia de "traduzir" as decisões, seja em texto simples ou áudio, é um passo enorme para a inclusão, especialmente para pessoas com deficiência visual ou que não sabem ler. É inspirador ver como a tecnologia pode ser usada para democratizar o acesso à informação, assim como ferramentas online como o Merge JPG tornam a edição de imagens mais intuitiva para todos. O debate sobre essa simplicidade, sem desmerecer a terminologia jurídica necessária em seu ambiente acadêmico, é fundamental.

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