A prisão aconteceu em 17 de novembro de 2024. Na ocasião, Gabriel havia saído de casa para encontrar amigos na Praia da Ocian e, enquanto isso, uma mulher teve a corrente furtada por dois suspeitos na cidade.
Segundo o processo, os suspeitos abandonaram as bicicletas e entraram no mar. Gabriel, que estava no local, foi cercado por policiais e preso em flagrante. Ele foi levado à delegacia, onde teve a prisão convertida em preventiva.
Gabriel ficou preso por mais de três meses no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande antes de ser absolvido. Procurado, o Estado de São Paulo não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Indenização
O g1 teve acesso à sentença, que definiu, em 6 de abril de 2026, a indenização de R$ 80 mil, considerada proporcional às circunstâncias e dentro dos parâmetros adotados pela Justiça em casos semelhantes. A defesa do jovem chegou a pedir R$ 250 mil, mas o valor foi contestado pelo Estado de São Paulo.
Ao fixar o valor, o magistrado considerou a gravidade da prisão indevida, a idade de Gabriel (com 18 anos à época), a ausência de antecedentes criminais e os impactos psicológicos e sociais do encarceramento. A repercussão do caso na imprensa também foi levada em conta.
Absolvição
De acordo com o advogado de defesa do jovem, Renan Lourenço, o principal elemento que levou à prisão foi um reconhecimento pessoal feito de forma irregular, por meio do chamado “show-up”, ou seja, quando o suspeito é apresentado à vítima.
Segundo a decisão, o jovem foi apresentado sozinho à vítima na delegacia. Além disso, durante o processo, a mulher que teve a corrente furtada afirmou em juízo que Gabriel não era o autor do crime, acrescentando ter sido influenciada pelos agentes no momento do reconhecimento. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) reconheceu o equívoco e pediu a absolvição.
Para o juiz, embora a prisão preventiva tenha sido formalmente autorizada, ela se baseou em uma prova inválida desde o início. Para o magistrado, foi configurado o nexo causal, ou seja, a relação direta entre a falha do Estado e o dano sofrido pelo jovem.
Recomeço
Ao g1, Gabriel disse que pretende se tornar advogado criminalista e começar, no próximo ano, a faculdade de Direito. Segundo ele, o dinheiro da indenização será destinado aos estudos e para ajudar a família.
Ele também afirmou que, apesar da indenização, o valor não apaga o sofrimento vivido. “101 dias preso lá dentro é igual a 10 anos aqui fora. É um sofrimento muito lento e doloroso”, ressaltou.
Fonte: @portalg1

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