EUA chamam de ‘absurda’ avaliação do Itamaraty sobre risco de intervenção militar no Brasil

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EUA chamam de ‘absurda’ avaliação do Itamaraty sobre risco de intervenção militar no Brasil

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Via @ndmais | O governo dos Estados Unidos classificou como “absurda” a avaliação do Itamaraty sobre um suposto risco de intervenção militar americana no Brasil.

A manifestação foi divulgada nesta terça-feira (07) pelo Departamento de Estado, em resposta a um documento encaminhado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara dos Deputados.

No texto enviado ao Legislativo em 1º de julho, o chanceler afirmou que a decisão do governo do presidente Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas poderia abrir espaço para medidas unilaterais dos Estados Unidos, incluindo, em tese, o uso de força militar em território brasileiro.

Departamento de Estado rebate Itamaraty

Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado rejeitou a interpretação apresentada pelo governo brasileiro e afirmou que não existe previsão de ação militar relacionada à designação das facções como organizações terroristas.

“Esse comentário sobre risco de uma ação militar é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas”, declarou o representante do governo americano.

O porta-voz acrescentou que o PCC e o Comando Vermelho já atuam em território americano e que os Estados Unidos “defenderão seu povo” dessas organizações. Segundo ele, alegações sobre uma suposta intervenção militar acabam servindo de pretexto para favorecer grupos criminosos.

Governo de Donal Trump firmou que as medidas contra PCC e Comando Vermelho são de natureza financeira e migratória
Foto: Molly Riley (United States Government Work)/The White House/ND Mais

Segundo o governo americano, as medidas previstas envolvem principalmente sanções financeiras, bloqueio de bens e restrições de vistos, sem qualquer previsão de emprego de forças militares.

Documento foi enviado à Câmara

Documento enviado pelo chanceler Mauro Vieira motivou resposta oficial do governo americano
Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil/ND Mais

O posicionamento de Mauro Vieira foi encaminhado à Câmara dos Deputados em resposta a um pedido de informações apresentado pelo deputado federal Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).

No documento, o ministro afirmou que o governo brasileiro não foi consultado formalmente antes da decisão dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Ele também reiterou que a medida é unilateral e que o Brasil se posiciona contra essa classificação.

O chanceler avaliou ainda que a decisão pode gerar impactos relevantes para a soberania nacional e para a economia brasileira. Segundo Vieira, a designação das facções não deve trazer benefícios concretos para a cooperação internacional, embora tenha ressaltado que o combate ao crime organizado depende da atuação conjunta entre os países.

Anteriormente, representantes do próprio Departamento de Estado já haviam esclarecido que esse tipo de designação não autoriza ações militares e produz efeitos relacionados principalmente ao bloqueio de ativos, restrições financeiras e sanções migratórias contra integrantes e apoiadores dos grupos.

*Com informações do Poder360 e da Folha de S.Paulo.

Giorgio Guedin
Fonte: @ndmais

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